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OPINIÃO

Muros não resolvem

É complicado resolver os problemas do mundo através do coração, mas ao menos que os "donos" do mundo usem o cérebro

Marcos Schmidt - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 28/01/2025 às 23h:06 Última atualização: 28/01/2025 às 23h:07
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Desfrutar a riqueza no meio da pobreza é um desafio complicado, ainda mais quando a fortuna está nas mãos de poucos e a pobreza na barriga de muitos. Muros até podem afastar a indigência, mas não garantem segurança e tranquilidade. Pensando bem, viver assim é uma prisão para os dois lados.

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O desafio vem se agravando. A desigualdade no mundo cresce de um jeito assustador. A riqueza extrema aumenta no mesmo ritmo da pobreza extrema. Atualmente, 1% da população é dona de dois terços de todas as riquezas. E daí a maldita fome. Quase 20% da população mundial vão todos os dias famintos para a cama.

Solução? Existe, e não começa no bolso, mas no coração. Ricos e pobres sempre vão existir. Por merecimento, mas também por injustiça. A meritocracia pode ser um jeito impossível e extremamente cruel quando se sabe que dinheiro gera mais dinheiro e dívidas, mais dívidas. Assunto que, raivosamente, entra no campo das ideologias e levanta outros muros.

Penso que a comparação da igreja com o corpo humano com seus diversos membros (1 Coríntios 12) serve também para a sociedade global, hoje com mais de 8 bilhões de seres humanos. Paulo diz que se “uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela”. Lembra que o olho não pode dizer para a mão: “Eu não preciso de você”. Depois de explicar esta dependência uns dos outros, mostra o caminho: se não tiver amor, nada funciona. Claro, fala isto para a igreja, não para governantes, políticos, economistas.

É complicado resolver os problemas do mundo através do coração, mas ao menos que os “donos” do mundo usem o cérebro.

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