Duas grandes marcas que competem no mercado brasileiro, em segmentos diferentes, porém, correlatos, se emparelham na briga por uma cor: o roxo. Identificada no meio técnico como a cor que mais fielmente representa a tecnologia, traz neste contexto uma disputa que se mostra, no mínimo, coerente. Enquanto o Nubank chama seu cartão de “o roxinho”, a Vivo chama o torcedor da seleção brasileira de brasileiro roxo. É claro e óbvio que ninguém pode se apoderar 100%, com exclusividade, por direito, de cor nenhuma, pois as cores são de livre acesso e uso indistinto.
No entanto, a marca que liga a sua percepção a uma cor consegue ligar um ativo de enorme valor, pois quanto mais ela participar de suas ações digitais ou analógicas, mais aquele valor cresce e se incorpora ao logo, fortalecendo sua unidade e valorizando o conjunto que a representa.
Lembro sempre que nas feiras de calçados a marca que mais atraía meu olhar era a West Coast, pois aquele amarelão bem aberto, unido à letra W, que julgo a mais gráfica do alfabeto, criavam uma visão quase alucinógena para quem adentrava os pavilhões. O estande era logo visualizado e até por isso atraía com mais avidez os compradores.
O Itaú saiu um pouco tarde nessa corrida ao reduzir o número de cores da marca e apelidar seu cartão de laranjinha, na medida em que escolheu entre o azul e o laranja sua nova cor master, ops, desculpem, matriz.
Notável é a marca que pode ser vista antes de ser lida. Tenho ouvido muito a expressão “amarelinha”. Mas é Claro (outro conceito forte de marca e cor) que produto ruim não sustenta cor.