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OPINIÃO

Na Vila Nova

Era a casa da vovó Streb que fazia a melhor sopa do universo

Gabriela Streb - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 23/06/2026 às 13h:14 Última atualização: 23/06/2026 às 13h:14
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A Rua Henrique Dias, na Vila Nova, fazia parte de nossas vidas. Ali moravam meus tios e primos. No meio da rua, a tia Paula, tio Paulo, com os filhos Dorotéa e Daniel. Era a casa da vovó Streb que fazia a melhor sopa do universo. Certamente era obra da tia Paula, mas a vovó levava os créditos.

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Ao lado, um terreno das Bebidas Cassel, com um pavilhão, entrada para caminhões e um pequeno gramado onde saiam aquelas peladas de futebol.

Logo depois, a casa da tia Beti e tio Teco, com os primos Giancarlo e Luciano. Um belo dia, no tal gramado, algum deles deu um chute tão forte e desgovernado que a bola entrou pela janela do quarto da Doro e Daniel, e atingiu em cheio uma fruteira de cristal na mesa da sala. Estraçalhou-a em mil pedaços. Era um presente de casamento recebido pela tia Paula. Entre xingamentos e culpados, as tias brigaram e não se falaram por anos. As crianças, é claro, em menos de 24 horas voltaram a ser amigas.

Passados anos, retomaram a amizade e nunca mais se desgrudaram.

O Gian sempre foi sonâmbulo. Meus tios tinham a prudência de tirar a chave da porta porque volta e meia estava ele ali tentando sair de madrugada. Quando era indagado respondia: a gurizada me chamou para jogar futebol. Volta para cama Gian, ninguém joga bola às 3 da manhã, guri! Já mais velho, quando no quartel ficava de guarda sonâmbulo na mesma porta, ligando e desligando o interruptor da luz. Quando questionado respondia: “Estou de guarda”. Meu tio gritava: “Descansado soldado, vai para cama dormir!”.

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