“Valeis mais do que muitos passarinhos!” Diante dessa proclamação de Jesus, poderíamos perguntar: como entender um Deus que cuida dos passarinhos, que observa o seu voo, que se dedica à contagem amorosa dos cabelos da nossa cabeça, mas que ao mesmo tempo permite que os passarinhos sejam abatidos, os inocentes continuem morrendo e crianças sejam agredidas e violentadas?
Por três vezes Jesus tranquiliza os seus dizendo: “Não tenhais medo”. Na Bíblia há muitas passagens com este anúncio do “não ter medo”. Está na boca de anjos, de profetas, de reis. Essa expressão se repete 365 vezes, uma para cada dia do ano, como se fizesse parte do “pão nosso de cada dia”.
Como pano de fundo desse esforço de Deus por nos tranquilizar, vemos um ambiente de perseguições, de vidas interrompidas, de tramas, de ódio, de destruição, de guerras e de desilusões.
Ao dizer “Coragem, eu venci o mundo”, Nosso Senhor mostra que sabe muito bem que temos medo, que nos sentimos inseguros e que há razões para isso. Também sabe que o medo faz parte da fé: é inseparável dela. Temos medo e fé, bem como Jesus no jardim das oliveiras.
Nós cristãos temos fé num Jesus que teve medo. A fé que Jesus tinha e que suava sangue é também a nossa fé. Naquela noite, com o coração inundado de angústia, Jesus sua sangue e medo, mas não se deixou levar pelo medo. No fim abandonou-se nas mãos do Pai e exclamou: “Seja feita a tua vontade” (Lc 22,42).
“Não tenhais medo” significa que não devemos decidir as nossas vidas em nome do medo, porque Deus faz e fará por nós aquilo que ninguém jamais fez. Ele sempre está presente e próximo.