Antes da casa do porão, moramos num apartamento em frente à Padaria Modelo, em Hamburgo Velho. Num lado da esquina da Rua Daltro Filho tinha a farmácia Rost e, na outra, a Alfaiataria do seu Fritzen.
No andar de baixo, morava o pastor Hasenack, tia Olga e os filhos Ana Cristina e Daniel. Vieram de São Pedro, pois o pastor iria trabalhar na comunidade luterana.
Foi na casa da tia Olga que assistimos a abertura da Copa da Alemanha de 1974 e sessões de slides de uma viagem que fizeram para a Alemanha. Íamos, os quatro, caminhando para o Pindorama.
Tia Olga deixava que brincássemos no corredor do prédio desenhando com giz nas paredes e chão nossa nave espacial. Eu e Ana éramos responsáveis pela cozinha; e o Marco e Daniel, os pilotos.
As escadas tinham corrimões largos com borda de madeira e nós preferíamos escorregar por ali sem fazer barulho, pois ali também residia o pastor Pöhlmann, um dos idealizadores da fundação do hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Ao lado do nosso apartamento, morava a Juliana Engel e o Germano deveria ter um ano e pouco. Um dia, ao espiá-lo no berço, ele grudou na minha bochecha e deixou os únicos quatro dentes marcados por dias. Nunca mais o espiei.
Noutro apartamento, morava a Beatriz Ventre e o Gianfranco tinha seus quatro anos. Sofreu conosco. Queria brincar na nossa nave e só atrapalhava. Hoje, estaríamos sendo repreendidos pela prática de bullying e até entendo se o Franco nunca mais quisesse falar conosco. Dali fomos para a casa do porão.