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Cotidiano

O cinema ainda está nas ruas

Sempre me perguntei como numa encenação de uma perseguição a meliantes fugitivos, os acidentes que acontecem são tão raros

Mauro Blankenheim - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 07/10/2025 às 06h:22 Última atualização: 06/10/2025 às 16h:32
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Na contramão de um movimento que carregou todas as salas de cinema para dentro dos shoppings, o marco do fatídico 11 de setembro trouxe, para as ruas, cenas de cinemas do gênero ação, acontecendo frente aos nossos olhos. O September 11th, um tema inédito para o cinema que matou milhares na vida real, parece ter dado o tiro de largada de que nada mais seria como antes na vida das pessoas.

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Sempre me perguntei como numa encenação de uma perseguição a meliantes fugitivos, os acidentes que acontecem são tão raros. O uso de dublês e pilotos altamente preparados justifica o fenômeno em parte. Os ajustes na edição também colaboram. O sigilo da informação funesta completa o trio de vértices que sonegam à opinião pública trágicos eventos que ocorrem durante a rodagem de filmes e séries.

No entanto, as ruas de hoje trataram de apresentar tudo o que o cinema sempre maquiou com recursos e trucagem. Temos assaltos à mão armada aos magotes, motociclistas empinando e levando caroneiros armados prontos para agir letalmente, acidentes de trânsito incríveis como o do ônibus que desceu a fortemente íngreme Rua Espírito Santo em Porto Alegre, atingindo tudo o que viesse pela frente.

Pandemias tiveram cenários já explorados em Epidemia, filme com Dustin Hoffmann e as enchentes foram vistas em The Flood, era de ouro do cinema catástrofe. Nesse quadro de completo estresse, não seria oportuno que o cinema se dedicasse exclusivamente a filmes mais românticos, doces e suaves, sempre com happy endings, enquanto assistimos às crueldades nas ruas e nos noticiários das mídias, sem pagar nada?

 

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