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OPINIÃO

O compasso

Quantas vezes olhamos apenas para o que aparece mais? E, no entanto, são, muitas vezes, os menos visíveis que sustentam o conjunto

Suzana Kunz - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 22/04/2026 às 12h:31 Última atualização: 22/04/2026 às 12h:34
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Domingo que passou, ganhamos asas musicais no Centro Municipal de Cultura, em homenagem aos 99 anos do Município. Foi a vez da nossa Orquestra de Sopros oferecer seu costumeiro espetáculo. Um deleite com melodias variadas.

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Há algo naquele espaço que transforma a experiência. O Centro tem formato de anfiteatro, e isso faz diferença: de qualquer lugar da plateia, é possível ver praticamente todos os músicos. Ninguém fica escondido. Assim, acompanhamos não só a música, mas os diálogos entre os instrumentos — quem conduz, quem sustenta, quem aparece mais e quem constrói a base.

Em determinado momento, fiz o contrário: fechei os olhos e apenas ouvi. A música cresceu. Os sons se misturam como um mar. Aos poucos, meu ouvido começou a separar camadas. E então percebi os instrumentos sem melodia definida: tambores, bumbos, caixas, pratos, triângulo.

Abri os olhos. Estavam lá, ao fundo do palco. Não por falta de importância, mas porque seguimos o que canta em sequência, o que desenha a melodia. Mas aquelas batidas, suaves ou vibrantes, sustentavam tudo. Davam o ritmo, o pulso, a vida. Especialmente nas músicas brasileiras, do frevo ao baião.

Então fiquei pensando…Quantas vezes olhamos apenas para o que aparece mais? E, no entanto, são, muitas vezes, os menos visíveis que sustentam o conjunto. Pessoas, gestos, presenças silenciosas que, como a percussão, não precisam aparecer para serem essenciais. Talvez viver seja isso: aprender a ouvir melhor. Não só o que se destaca, mas o que sustenta o compasso. Às vezes em seu silêncio.

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