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Cotidiano

O Natal do quero-quero

Volto 50 anos atrás. Ia passar o Natal no interior de Tupanciretã

Ivar Hartmann - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 24/12/2025 às 08h:00 Última atualização: 23/12/2025 às 20h:40
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Jesus, de quem comemoramos agora o nascimento, nesta data que une a todos, falou dos homens: “Amai uns aos outros como a ti mesmo”. Falou das crianças: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. Falou dos pássaros: “Olhem os passarinhos: não se preocupam com o alimento, não precisam de semear, nem de colher ou de armazenar comida, pois o vosso Pai celestial é quem os sustenta.”

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Volto 50 anos atrás. Ia passar o Natal no interior de Tupanciretã. Hoje nós só conhecemos estrada de asfalto ou empedrada. Não então. A estrada estava lamacenta, como toda estrada de interior, pois chovera muito. Os caminhões que tinham passado, deixaram dois grandes sulcos, no leito do caminho. Andar devagar era a solução. Naquele barro, em grandes passadas, o quero-quero cruzou a estrada em busca da grama alta do outro lado. Esqueceu que as perninhas do seu filhote recém-nascido, vindo logo atrás, não eram feitas para tanto, e o pequenino ficou embretado em um dos trilhos, se aninhando no barro para esconder-se, sem poder saltar da armadilha, no caminho da roda do meu auto que chegava.

Parei: O filhote quieto. Não tinha escapatória; não conseguiria subir a valeta. Na véspera de Natal, todos os humanos estão em bonança. Abri a porta do carro e saí para o lodo, afundando os pés na lama. Foi fácil pegar o filhote encolhidinho. Soltei-o na beira da estrada e ele desapareceu como um raio, a mãe atrás. Sapatos, meias e calças joguei no chão, imundos. Toda ação que fizermos, produzindo o bem para uma criatura de Deus, memorizaremos para sempre. Feliz Natal para todos!

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