Novo Hamburgo virou notícia nacional quando a Prefeitura da cidade interrompeu os repasses financeiros da Orquestra de Sopros após 72 anos de funcionamento. Uma grande lástima e uma vergonha imensa, nos sensibilizando e revoltando demais com este silenciamento.
Para que serve a arte, afinal de contas? Já que parece que este assunto também é sobre contas, mas não só. A arte serve para provocar. Provocar o quê? Criar pontos de interrogação no pensamento racional, nos sentimentos, nas percepções, na sensorialidade.
Promover a capacidade crítica, tão necessária para se manter com lucidez a partir da sensibilidade. Os desassossegos promovem transformações. Mudanças que nem sempre são bem-vindas quando se fala em escolher viver processos culturais com cidadania e autonomia necessária para uma sociedade saudável.
Cada vez mais as pesquisas científicas têm demonstrado o valor da arte para a saúde mental, tendo sido indicado visitar museus, tocar instrumentos, escrever e tantas outras modalidades artísticas como possibilidades de se expressar de diferentes modos. Não somos sujeitos serializados, iguais. Somos uma multidão que é diversa, múltipla e precisa usar esse poder que lhe pertence para ter a arte como ferramenta de um bem-viver pleno e íntegro.
Não se pode terminar com orquestras, não se pode fechar museus, não se pode fechar centros de saúde, escolas, nem centro de referências para mulheres. Não se pode retirar direitos. E isso é atribuição do estado, do poder público, ainda que a iniciativa privada apoie. Se a ignorância e a insensibilidade aumentam, é na violência que vamos levantar os índices. Seguimos desacomodando, com a potência alegre de uma orquestra que reverbera.
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