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OPINIÃO

O tamanho da maternidade 2

Observei no meu próprio texto que não contemplei as mães surdas

Patricia Spindler - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 25/05/2026 às 14h:01 Última atualização: 25/05/2026 às 14h:02
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O Tamanho da Maternidade foi o último texto que escrevi para este espaço, rendendo muitos diálogos com pacientes, conhecidos e desconhecidos, a partir de retornos e mensagens que recebi. Comentei um pouco sobre este impacto nas minhas redes sociais, aproveitando para questionar meus leitores e seguidores sobre qual dos “tipos” de maternidade eu não tinha contemplado.

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Finalizei meu comentário dizendo que observei no meu próprio texto que não contemplei as mães surdas, ou seja, as mulheres pertencentes à cultura surda que ocupam este lugar.

Nos dias que seguiram, fui assistir “Surda” na Cinemateca Paulo Amorim, que trata exatamente deste tema. Surda é um filme espanhol dirigido por Eva Libertad, de 2025, que ganhou três prêmios Goya, incluindo atriz revelação para Miriam Garlo. Tem sido bastante comentada pela intensidade e sensibilidade que o público se depara.

Angela é uma mulher surda, que vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte. É visceral a interpretação de Miriam, que é uma mulher surda, em um contexto onde poucas atrizes surdas têm espaço de trabalho.

Este filme vai além das questões que envolvem as deficiências e não trata a protagonista como vítima ou idealizada. Miriam comentou que “precisava colocar o público ouvinte dentro da pele da Angela”. E a identificação das mulheres não tem acontecido somente dentro da cultura surda, mas também entre muitas ouvintes, à medida que a maternidade em um mundo que escuta e reconhece pouco o sofrimento feminino produz insegurança, isolamento, dificuldades de comunicação, sensação de incompreensão, solidão e vulnerabilidade.

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