A maternidade não é uma experiência única nem universal, apesar do estereótipo insistente. Existem muitas formas de se relacionar com o desejo (ou não desejo) de maternar, com os filhos, com a identidade feminina e com as expectativas sociais. Muitas vezes, essas experiências se misturam.
Há mulheres que não querem ser mães, as chamadas childfree; mulheres ambivalentes, que oscilam entre desejar e não desejar filhos; mulheres que adiaram indefinidamente a maternidade; aquelas que gostariam de ser mães, mas não foram; e mulheres antinatalistas, que questionam as condições éticas, políticas e sociais de colocar filhos no mundo.
A mães que fazem da maternidade o centro da vida; e as que tentam equilibrar filhos, trabalho, afetos e individualidade. Outras amam profundamente os filhos, mas não gostam da maternidade. Sofrem com a sobrecarga, a exaustão, a culpa, a perda de autonomia e o apagamento da antiga identidade. Há mães arrependidas da decisão de maternar, não dos filhos em si.
Existem ainda maternidades atravessadas por condições específicas: mães atípicas, solo, negras, periféricas, indígenas, LGBTQIA+, adotivas, adolescentes ou tardias. Cada uma enfrenta desafios próprios. Há também mulheres que exercem a maternagem sem serem mães, cuidando, educando e sustentando afetivamente e economicamente outras pessoas.
A maternidade raramente é linear. Uma mulher pode amar os filhos e odiar a sobrecarga materna. Pode sentir realização e luto ao mesmo tempo. Talvez o mais importante seja permitir narrativas diversas, sem definir qual maternidade seria a “correta” ou “melhor”.