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OPINIÃO

O uso do nome de Deus

Certos líderes religiosos de perfil narcísico perverso se apropriam da autoridade divina para obter vantagens pessoais e políticas

Jackson Buonocore
Publicado em: 14/05/2026 às 13h:25 Última atualização: 14/05/2026 às 13h:37
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O mandamento de não usar o nome de Deus em vão vai muito além de uma simples norma de respeito religioso; ele funciona como um lembrete de que existem limites para os nossos desejos. Na prática, a imagem de Deus atua como um freio simbólico, por meio do qual os indivíduos reconhecem a existência de leis e regras na vida em sociedade.

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Porém, usar o nome de Deus em vão significa instrumentalizar o sagrado para validar a opressão e manter o status quo. É uma prática que transforma a fé em alienação social, convertendo a religiosidade em um escudo contra a angústia.

Essa degradação do sagrado atinge seu ápice na atuação de certos líderes religiosos de perfil narcísico perverso, que se apropriam da autoridade divina para obter vantagens pessoais e políticas, manipulando as massas. Para isso, utilizam o nome de Deus como um ser punitivo para garantir a submissão dos fiéis, transmutando a espiritualidade em uma ferramenta de controle emocional.

Na verdade, o que tais figuras proferem ao dizer que “Deus quis assim” é uma tentativa de abdicar de suas próprias responsabilidades, projetando sobre a Divindade o peso de escolhas que são humanas e, muitas vezes, egoístas.

Ademais, usar o nome de Deus para prometer curas infalíveis, realizar falsos milagres ou induzir fiéis a doações financeiras pode configurar charlatanismo religioso. Portanto, o uso do sagrado ou do divino nessas condições não é apenas uma forma de absurdo, mas também uma agressão à saúde mental e à integridade moral da coletividade.

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