Encantado com a beleza dos campos, dos trigais e das flores, certo dia Jesus fez esta afirmação: “Nem Salomão, em toda a sua beleza, se vestiu como as flores do campo”.
Noutra ocasião, Ele observa um semeador que saiu a semear enquanto as sementes caíam em diferentes terrenos. Nesse gesto do semeador, Jesus intui algo de Deus. Quanto bem nos faz, imaginar um Deus assim: que sai a semear pelos caminhos do mundo e do coração, que espalha a mãos cheias os seus germes de vida.
Esse Deus, o nosso Deus camponês, incansável fecundador das nossas vidas, obstinado na confiança, um Deus semeador: mãos que se abrem, gestos que florescem e frutificam.
A Parábola do Semeador, contada por Jesus, contém a certeza de que amanhã cada um de nós estará mais vivo do que hoje. E isso não por nosso mérito, mas por mérito da semeadura perene de Deus em nós; somos terra pedregosa e cheia de espinhos, mas capaz de receber e de dar vida.
Cada coração é canteiro de terra boa, apta para dar vida às sementes de Deus. Contudo, cada um de nós sabe: quantas vezes dificultamos o milagre, quando somos caminho batido, terra de pedras e de pedregulhos, e cultivamos espinheiros no coração.
Deus é um semeador generoso, que não deixa faltar a ninguém os seus dons. Nesta parábola temos de voltar a Ele a nossa atenção. Então nasce a alegria e a confiança de que, apesar da aridez, esterilidade e desgaste, Deus continua a semear em nós sem parar. Contra todo os arbustos e espinheiros, contra todas as pedras e caminhos, Ele vê uma terra capaz de acolher e de florescer.