Quem não viveu uma parte que seja do século passado não consegue imaginar o quanto as coisas mudaram. Em nossa juventude, beber cerveja significava beber Brahma.
Certa feita, fomos gentilmente convidados por dois armários, ops, seguranças, a nos retirar de um ambiente nada familiar, após pagar as duas cervejas que nem tomamos, porque meu amigo gritou com o garçom: – Nós pedimos cerveja, não essa imitação do que eliminaremos depois. Só consegui dizer que estava pagando e já estava com o pé na rua, e meu amigo ainda esbravejando e querendo filosofar Públio Sírio: “Quem perdeu a confiança, não tem mais nada a perder”.
Sábado, quem encontro no super senão aquele meu amigo, na sessão de bebidas e carregando o carrinho de cerveja de uma marca desconhecida. Em oferta, segundo ele, vendo minha interrogação nos olhos. “Quase apanhamos por tua radicalidade brahmística, e agora vejo o que não imaginava”, concluí. Ele não se fez de rogado: “A melhor cerveja é a mais barata sentenciou, e saiu assobiando feliz”.
Meu cérebro deu meia volta à realidade. Quando cheguei em casa, abri o jornal e li que Lula “pediu” para Edegar Pretto ser vice de Juliana Brizola, por questões de filosofia partidária, e ainda “aconselhou” outros partidos a se unirem aos dois. Sempre por amor à coerência política. Nada a ver com horário na mídia que pula de vinte segundos para 2m30seg, e daí para mais,nem com o aumento da partilha dos 5 bilhões do fundo partidário, que por sinal atenderão “só ”30 partidos do Brasil.
É, precisamos nos reciclar, os tempos mudaram, mas é indigesto, ah se é.