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OPINIÃO E CURIOSIDADES

PELA COPA: o infortúnio de El Diablo Etcheverry, a política migratória dos EUA na Copa e 25 dias sem Neymar

Aquilo que acontece dentro e fora de campo durante o Mundial de 2026

Ermilo Drews
Publicado em: 11/06/2026 às 06h:30 Última atualização: 10/06/2026 às 20h:49
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O gerúndio e o diabo
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Todo mundo tem uma Copa ou uma história de Copa que seja pra chamar de sua. A minha foi a de 1994, disputada justamente nos Estados Unidos, no auge dos meus 12 anos. Nesta idade, vamos combinar, sobra tempo pra ver jogo de futebol. Geralmente é a idade em que a gurizada começa a virar torcedor de fato. E na Copa do tetra, não lembro de ter perdido um jogo sequer daqueles que passaram na televisão aberta.
E em dia de estreia de Copa do Mundo de 2026, me veio à memória o primeiro jogo da Copa de 94. De um lado a Alemanha de Jürgen Klinsmann, atual campeã na época. Do outro, a Bolívia de Marco Etcheverry, que no ano anterior havia infernizado a defesa do Brasil e vencido a seleção em La Paz por 2 a 0. Foi a primeira derrota da Seleção Brasileira na história das eliminatórias da Copa.

Marco Etcheverry em atuação na primeira derrota do Brasil na história das eliminatórias | abc+



Marco Etcheverry em atuação na primeira derrota do Brasil na história das eliminatórias

Foto: Reprodução @marcoetcheverry10

Lembro que estava na expectativa por ver o azarão, El Diablo Etcheverry, como era conhecido.
Mas quem teve um dia dos infernos fui eu, além do próprio “diabo”. Horas antes da estreia recebi minha prova de gerúndios da professora de Português. E o placar estava “zerado”. Não acreditei. Pô, eu ia bem em Português! Fosse Matemática, ok. Mas na língua de Camões?

Ao analisar o porquê, entendi. Levei cartão vermelho da professora. Acontece que num rompante infantojuvenil fui maroto ao escrever frases com gerúndio. Do tipo c… e andando. Entendeu, né? Ao chegar em casa, tive que mostrar pra mãe. E a sentença dela doeu tanto quanto o pênalti perdido pelo Baggio para os italianos. “Estou decepcionada contigo!”

Nunca esqueci as palavras da minha mãe naquele dia. E ela nunca repetiu. Quem também não se esqueceu daquele dia foi El Diablo. Ele, que se recuperava de uma lesão, entrou aos 33 minutos do segundo tempo, quando a Alemanha já vencia a Bolívia por 1 a 0, gol de Klinsmann. Com energia acumulada, deu um pontapé no alemão Lothar Matthäus. Vermelho direto. Dois jogos de suspensão. Fim de Copa para Etcheverry. A Copa de 94 foi para El Diablo como aquela prova de português foi pra mim: decepcionante.

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Imprevisível

Esta “historinha de Copa” serve pra lembrar que o futebol é um negocinho imprevisível. Basta ver como as bets prosperam e faturam em terra de “especialista em futebol”. O cara que infernizou o Brasil um ano antes mal pegou na bola na Copa. A própria Alemanha caiu nas quartas de final para a Bulgária (do Stoichkov, companheiro de Romário no Barcelona). E o final nós sabemos, Brasil campeão depois de 24 anos de jejum e desacreditado no começo do campeonato.

Favoritos?

Por isso, por mais que listas de apostas e comentaristas coloquem França e Espanha como favoritas, seguidas por Argentina, Portugal, Alemanha, Inglaterra e Brasil (não necessariamente nesta ordem), tudo pode acontecer quando uma bola rola dentro de um retângulo. Menos Haiti, Curação e Jordânia serem campeões, daí quebra as bets, vamos combinar.

Copa da diversidade #SQN

A maior Copa da história, com 48 seleções, tinha tudo para ser uma festa da diversidade de povos e culturas. Mas faltaram combinar com o governo de Donald Trump e sua rígida política migratória, com a questionável atuação do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE).

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Além de obrigar a Seleção do Irã a permanecer por no máximo 36 horas em território estadunidense a cada jogo (depois precisarão voltar para Tijuana, no México, que virou sua base de treinamento), seleções de países que não gozam da simpatia do governo Trump passam por revistas bem mais rigorosas do que o habitual.

Mas o caso mais emblemático foi o do árbitro da Somália Omar Artan, um dos melhores do continente africano. Escalado para a Copa pela Fifa, ele foi impedido de entrar nos EUA quando chegou ao Aeroporto Internacional de Miami por “questões de verificação”, mesmo tendo a documentação em dia.
A Somália é um dos vários países em uma lista de proibição de viagens introduzida pelo governo Trump. Artan já volto à Somália, onde foi recebido como herói.

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Olho neles!

O icônico Estádio Azteca, na Cidade do México, onde o Brasil foi tricampeão do mundo em 1970, será palco do jogo de abertura na tarde desta quinta-feira (11), entre México e África do Sul. No grupo do México tem jogadores experientes, como o goleiro Guillermo Ochoa, que disputará sua sexta Copa do Mundo, assim como Cristiano Ronaldo e Messi, e Raúl Jiménez, com longa carreira na Premier League.

Santiago Giménez, do México | abc+



Santiago Giménez, do México

Foto: Reprodução Instagram

Mas destaco o atacante Santiago Giménez, do Milan e desejado pelo Tottenham, da Inglaterra. Nascido em Buenos Aires, ele poderia ter optado por defender a Argentina ou até mesmo a Itália, já que tem triplanacionalidade, mas preferiu seguir o legado do pai, ex-jogador mexicano. No Feyenoord, da Holanda, Giménez viveu sua melhor fase, com 23 gols na temporada 2023/24.

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A África do Sul tem a base vencedora do Mamelodi Sundowns, clube de destaque do país que disputou o último Mundial de Clubes, com jogadores promissores que atuam no futebol europeu. Destaque para o atacante Lyle Foster, do Burnley (Inglaterra), esperança de gols dos Bafana Bafana e com valor de mercado superior a 41 milhões de euros.

Placar Neymar

Hoje faz 25 dias que Neymar, a esperança de Carlo Ancelotti, não joga uma partida oficial. O último jogo foi contra o Coritiba, pelo Brasileirão, em 17 de maio, quando teve a lesão na panturrilha (e queria continuar jogando). A CBF divulgou nesta semana que a cicatrização da lesão tem evoluído, mas ele está fora da estreia no sábado.

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