Conforme ocorre todos os anos, o setor produtivo gaúcho se vê às voltas na discussão do piso regional. A Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa realizou audiência pública para debater o tema. Ideologias à parte, o que se tem é que o piso regional, que alguns chamam de salário mínimo regional, foi instituído em apenas cinco dos 26 estados brasileiros, demonstrando, por si só, sua desnecessidade, afinal, se constituísse uma política pública efetiva, todas as unidades da federação o acolheriam.
A grande questão que permeou os debates foi referente ao que é primordial na concessão ou não do aumento. É o salário que faz o emprego crescer ou o emprego que faz o salário crescer? A economia pode ser alterada por medidas estatais, na base da “caneta”, sendo quase uma economia planificada, ou resulta de uma construção, unindo fatores que podem ter interferência estatal, mas dos agentes privados, verdadeiros geradores de riqueza?
O que garante aumento de salário é o próprio mercado, quando se desenvolve, agrega valor e faz a roda da riqueza girar. Se um profissional for escasso no mercado, ele será mais bem-remunerado e essa é a lógica, não o contrário. São o aquecimento da economia e a demanda que geram emprego e renda, e não o salário em si.
Muito se fala em competitividade do RS, melhoria do ambiente de negócios, redução de amarras, empresas que se foram e atração de novos investimentos, porém, se seguirmos nessa lógica de que o Estado necessita regular algo que o mercado já o faz e faz bem, como o piso regional, não conseguiremos avançar.