Dois amigos vinham caminhando e conversavam sobre o sonho em que tanto tinham acreditado; sonho que naufragou no sangue de Cristo na Cruz. Numa certa altura, “Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles”.
Antes de nós o procurarmos, é Deus que continuamente nos procura. Um Deus vestido de humanidade, andando por todos os caminhos, que caminha com você, comigo, com cada um de nós. Ele pode manifestar-se numa voz que ressoa no fundo do coração; talvez tenha o rosto de um familiar, de um amigo; ou talvez tenha a mão de um pobre que encontramos. Deus nos espera na esquina de cada caminho.
A fé também é um perpétuo caminhar, o próprio Deus é um cume nunca alcançado. Páscoa significa passar. Faz páscoa quem abre frestas, quem fabrica passagens onde há muros e barreiras, quem inventa caminhos que nos conduzam uns aos outros e, todos juntos, até Deus.
Aqueles dois discípulos estavam muito tristes. A tristeza é sinal de que nos falta o Senhor. Talvez sem nos darmos conta. Comunidades sem alegria são comunidades sem Deus. Ele, Deus, dizia alguém, é a “fonte amorosa da alegria e do canto”.
Jesus “Explicava-lhes as Escrituras” e dava-lhes a entender que a cruz não é um incidente ou algo que aconteceu por um acaso, mas a plenitude do amor ou a manifestação máxima do amor, que muda a nossa compreensão de Deus e do ser humano.
Os dois caminhantes descobrem uma verdade imensa. O dedo de Deus estava exatamente ali onde parecia impossível: na cruz. Deus estava ali de forma tão escondida, que parecia ausente. Quanto mais escondida está a presença de Deus, mais poderosa é.