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OPINIÃO

Quando o olhar atinge o coração

A graça não consiste em imitar Cristo para merecer algo; consiste em acolher o dom da sua pessoa

Quando o olhar atinge o coração
Publicado em: 04/06/2026 às 13h:19 Última atualização: 04/06/2026 às 13h:20
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Todos conheciam Mateus e o desprezavam. Como cobrador de impostos, servia aos dominadores estrangeiros e enriquecia à custa do povo. Mas um dia Jesus passou, olhou para ele e disse: “Segue-me”. Aquele olhar alcançou o seu coração antes mesmo das palavras. Mateus levantou-se, deixou o posto de cobrança e iniciou um caminho completamente novo.

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Caravaggio, no quadro “A vocação de Mateus”, mostra o olhar de Jesus como um feixe de luz que destaca Mateus no meio da sombra. Aquele olhar foi aonde o coração o precedeu.

A sua conversão não nasceu de um raciocínio, mas de um encontro. Seguir Jesus significou caminhar na contramão da busca pelo dinheiro e pelo poder. Não conhecia o destino, mas conhecia Aquele que se apresentou como o Caminho. O centro da fé cristã não é uma doutrina, mas a pessoa de Jesus.

Depois do chamado, Jesus senta-se à mesa com Mateus e muitos pecadores. Não começa com uma lição de moral, mas com sua presença. A graça não consiste em imitar Cristo para merecer algo; consiste em acolher o dom da sua pessoa. É a proximidade de Jesus que cura, transforma e devolve a alegria.

A casa de Mateus enche-se de amigos, rostos e festa. O antigo cobrador descobre uma vida nova, bela e feliz. Jesus mostra que veio chamar os pecadores, os frágeis e os que reconhecem a própria necessidade de Deus. O amor divino não se conquista nem se compra: acolhe-se.

Mateus não ficou preso à sua indignidade. Fixou o olhar na luz de Cristo e deixou ser levantado. A sua história revela um Deus que se aproxima do pecador e repete, em cada tempo: “Prefiro a misericórdia ao sacrifício”. Prefiro o amor.

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