Ao longo da nossa existência, vamos semeando sentimentos e mudando destinos, mesmo sem nos dar conta. Uma pitadinha de amor aqui, outra de companheirismo acolá, um pouco de mágoa mais adiante, um tantinho de ingenuidade ali atrás. E, assim, vamos escrevendo nossa história e deixando lembranças pelo caminho. Boas ou más, elas compõem o HD da nossa personalidade. É nelas que nossos amigos, amores e desafetos vão buscar informações e formar sua opinião a nosso respeito.
E que bom chegar à primavera de nossas vidas e descobrir que colhemos mais amizades que inimizades, mais alegrias que tristezas, mais amor que rancor. Em tempo de florescer, ninguém quer olhar pelo retrovisor e ver que ainda tinha sementes a plantar. Já é hora de começar a colheita e brindar as escolhas. Mas nem sempre é possível semear tudo o que foi planejado. Os caminhos mudam, as pessoas mudam, e os relacionamentos nos moldam. E, de repente, objetivos perseguidos por anos perdem o sentido.
Este é o curso da vida. Amigos vêm, outros vão, novos surgem. Paixões se renovam, algumas passam, outras são eternas. A gente descobre pessoas interessantes todos os dias e perde outras tantas. Mas não é preciso sofrer por isso. Se as sementes foram bem escolhidas, regadas e cuidadas, quando a primavera chegar, somente as flores necessárias brotarão — aquelas que escolhemos, as que nos escolheram, que merecem estar conosco e vão seguir nos acompanhando em qualquer estação. As outras chegaram e passaram, deixando apenas um leve sopro de perfume no ar. E seguiram, em busca de um novo jardim.