O caso de Tramandaí, ocorrido entre a terça (dia 25) e quarta-feira (26) desta semana, teve, como disse um policial militar, contornos só vistos em um filme de terror.
O abuso de uma menina de 9 anos por parte de um monstro, que acabou linchado e morto pela multidão enfurecida, é de causar uma revolta gigantesca e de fazer a gente pensar e repensar e se questionar sobre que mundo é esse?
VÍDEO: Momento em que menina é encontrada em alçapão de um bar na busca de policiais e moradores
Em outubro do ano passado, após vários casos em sequência de violência contra crianças, escrevi no espaço do abcmais.com exatamente sobre este mundo doentio ao qual as crianças estão sendo submetidas.
Felizmente – se é possível inserir um sentimento desses em uma situação horrível dessas – a menininha de 9 anos, que foi atraída pela promessa de um picolé, sequestrada, abusada e mantida em cativeiro no subsolo por um verdadeiro psicopata, foi resgatada com vida.

Foto: Reprodução
Mas o trauma será para toda a vida. Para ela, principalmente, e também para toda a família.
Sem entrar no caso da justiça feita com as próprias mãos pela população enfurecida (e vale só aqui dizer que o linchamento com morte é homicídio, é crime, por mais que alguém possa defender que foi justa a morte do psicopata), a grande pergunta que machuca todos é como um monstro desses, que tinha acusações de feminicídio, tráfico de drogas, furto de veículos, crueldade com animais e lesão corporal, podia estar solto nas ruas? E agindo normalmente como um dono de um bar?
Dizer que o sistema prisional está falido e que não há lugar para os criminosos na cadeia é algo inaceitável. Soltar um animal desses – ainda que com tornozeleira, pelo motivo que for – é inaceitável.
Ele não tinha um crime, apenas. Eram vários. E um deles era feminicídio!!! Ele já havia matado alguém e estava solto! Nosso Código Penal tem que ser urgentemente revisto em casos como este.
O vídeo da Polícia encontrando o cativeiro da menina (um buraco no chão do bar, um alçapão) é algo louco. A voz dela respondendo – “eu estou aqui, eu estou aqui”- ao chamado dos policiais é de estarrecer qualquer um.
Imaginar que esse monstro a pegou, abusou dela sexualmente e a prendeu ali, debaixo de engradados de garrafas, é algo terrível, impensável.
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Para quem viu o filme Um Olhar do Paraíso (de Peter Jackson, lançado em 2009), a cena do pai buscando informações da filha desaparecida com um vizinho (que era o sequestrador e assassino dela) se assemelha com a vivida pelo pai da menininha de 9 anos, que após ela desaparecer ao ir na pracinha brincar, foi perguntar ao dono do bar se ele a tinha visto.
Tão psicopata quanto o personagem vivido pelo ator Stanley Tucci, o homem, este criminoso de 61 anos , que possivelmente tinha sido arranhado pela menininha em sua luta para escapar dele, negou ao pai desesperado que tinha visto a filha dele.
Negava enquanto a mantinha presa em um alçapão sob garrafas de cerveja. E a manteve assim por uma noite inteira.
Não fosse a câmera de monitoramento e o relato de uma testemunha, talvez o destino desta menina de 9 aninhos fosse o mesmo da personagem do filme: a morte e a ocultação do cadáver.
O caso é revoltante e um alerta a pais e familiares.
Não deixem suas crianças à solta nas ruas sem alguém vigiando ou cuidando. É preciso proteger nossas crianças.
As pessoas doentes se multiplicam e se escondem atrás de uma máscara de frieza e crueldade assustadoras.
O mundo está doente. Há muita coisa boa, sim. Mas a doença avança assim como o ódio toma conta, pouco a pouco, e cria monstros como este criminoso linchado e morto pela população cada vez mais enfurecida.