“Tudo que você falar será usado contra você!”. A frase é comum em filmes policiais. A expressão lembra que é preciso cuidado sobre o que falamos aos filhos. A gurizada tem memória de elefante. Quando convém, é claro.
Lembrei da expressão durante um papo sobre a escolha da profissão dos filhos. Recordei o episódio vivenciado com a minha filha, Laura, que optou pelo Direito. Há um ano da formatura, resolveu dar uma guinada e disparou:
– Larguei o Direito, vou cursar Pedagogia.
Fiquei pasmo, confesso. Diante da minha cara de panaca, Laura puxou uma cena do meu passado.
– Lembra quando tu contou que fez duas vezes o concurso do Banco do Brasil pra agradar o vô? Contou que tu errou propositalmente as questões porque odiava a ideia de ser bancário. Hoje ela trabalha com autistas e é orgulho do pai babão.
Muito antes da Internet, a confirmação da aprovação no vestibular era através dos listões, acessados de duas maneiras: indo até a universidade pretendida ou comprando os jornais.
Ao ser aprovado na Unisinos, mostrei o listão ao meu pai, durante um churrasco. O velho Giba vibrou. Aos berros, comunicou à família e amigos.
– Atenção, pessoal! Uma salva de palmas para o primeiro advogado da família!
Ao informar que o curso escolhido era de Jornalismo, ele ficou furioso:
Ele era empresário, mas anos depois, tornou-se colunista de jornal e comentarista político de rádio. Eu ria sozinho, mas nunca tive coragem de cobrar coerência dele. Naquela época, a gente respeitava os pais e as pessoas mais velhas.