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OPERAÇÃO EXCHANGE

Aliada do PCC sob sanção de Trump é presa em megaoperação que bloqueou R$ 10,4 bilhões; empresário segue foragido

Detida atuava como braço financeiro em esquema internacional de criptomoedas; homem envolvido que é procurado pela PF também é réu no caso VaideBet do Corinthians.

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Publicado em: 03/07/2026 às 09h:43 Última atualização: 03/07/2026 às 09h:44
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A Polícia Federal (PF) prendeu sete pessoas nesta sexta-feira (3) durante a Operação Exchange, deflagrada para desmantelar uma organização especializada em lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos na quarta-feira (1º) por suposta ligação com o PCC, o Primeiro Comando da Capital.

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A operação foi noticiada pelo G1. Ao todo, a PF expediu 11 mandados de prisão temporária. O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo das sanções americanas, está foragido. Todos os presos serão encaminhados à sede da Polícia Federal em São Paulo.

Foragido com histórico de investigações

Victor Shimada é apontado pelo governo dos Estados Unidos como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. A acusação americana inclui a lavagem de mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 156 milhões, em recursos gerados em diversas cidades dos EUA; com uso de criptomoedas para repatriar os valores ao Brasil em nome da facção.

No Brasil, Shimada também figura nas investigações sobre o caso VaideBet, que apura supostos desvios do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.

O Ministério Público o denunciou por lavagem de dinheiro, e a denúncia foi aceita pela Justiça. Investigadores identificaram uma cadeia financeira que teria percorrido o seguinte caminho após deixar a conta do clube: Corinthians; Rede Social Media Design; Neoway Wave e UJ Football Talent.

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A Victory Trading, empresa da qual Shimada é sócio, teria realizado transferências para a UJ Football Talent, citada em outras apurações policiais. Em paralelo, em 2025 janeiro, ele chegou a ficar brevemente em prisão domiciliar em um processo envolvendo o BV, antigo Banco Votorantim.

Em nota, o BV informou que “em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.” O banco acrescentou ter atuado como assistente de acusação na ação penal.

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O advogado de Shimada, Yuri Cruz, afirmou não ter tido acesso aos documentos que embasaram as sanções americanas. “Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”, declarou. Cruz acrescentou que “qualquer conclusão seria precipitada” antes do acesso formal à documentação.

Sanções e bloqueio de bens

A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante de R$ 10,4 bilhões. Além dos mandados de prisão, a PF cumpriu 13 mandados de busca em endereços de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

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As sanções americanas foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro e bloqueiam os bens dos alvos nos Estados Unidos. Empresas com participação igual ou superior a 50% de qualquer dos sancionados também são atingidas pela medida. Stella, apontada pelos EUA como parente e secretária de Shimada, é descrita como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e fornecedora de suporte logístico para as operações de lavagem.

Esta é a primeira rodada de sanções do governo Trump contra alvos com suposta ligação ao PCC desde que, em junho, o Departamento de Estado classificou a facção e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

No comunicado, o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que o governo está enfrentando a “crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA”. A classificação como grupo terrorista abre caminho para ações unilaterais americanas mais amplas, incluindo, em último caso, intervenção direta no território nacional.

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