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BELÉM

Documento final da COP retira roteiro para abandonar os principais vilões do aquecimento global

Nova versão do texto não traz nenhuma menção à necessidade de criação do chamado mapa do caminho rumo ao fim do uso de combustíveis fósseis

Publicado em: 21/11/2025 às 09h:45 Última atualização: 21/11/2025 às 09h:50
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Após o incêndio da quinta-feira (20), que paralisou as negociações da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), a presidência da conferência publicou uma nova versão do rascunho do documento final na madrugada desta sexta-feira (21).

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A nova versão do texto não traz nenhuma menção à necessidade de criação do chamado mapa do caminho rumo ao fim do uso de combustíveis fósseis.

Presidência da COP 30 publicou uma nova versão do rascunho do documento final na madrugada desta sexta-feira (21) | abc+



Presidência da COP 30 publicou uma nova versão do rascunho do documento final na madrugada desta sexta-feira (21)

Foto: Alex Ferro/COP30

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O documento, que tem o nome de “Decisão Mutirão”, foi publicado às 3 horas da manhã e reúne as principais polêmicas das negociações climáticas.

A falta do roteiro para abandonar o petróleo e outros fósseis, os principais vilões do aquecimento global, frustra ambientalistas, que esperam avanços mais significativos na transição energética.

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O “mapa do caminho” havia ganhado apoio de cerca de 80 países, segundo contabilidade de organizações da sociedade civil, e foi uma das demandas apresentadas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Cúpula de Líderes, que antecedeu a COP30.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, também defendeu essa medida em seu discurso na véspera.

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Entre os países apoiadores, estão Alemanha e Reino Unido. Nações produtoras de petróleo, porém, resistem a criação desse roteiro.

Em 2023, na COP28, em Dubai, foi fechado um acordo que propôs pela primeira vez a “transição em direção ao fim dos combustíveis fósseis”, mas sem apresentar um mapa do caminho para essa mudança.

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Poucas horas após o rascunho ser concluído, um grupo de países já enviou carta à presidência da COP30, em que afirmam não aceitar um documento sem o mapa do caminho.

“Não podemos apoiar um resultado que não inclua o roteiro de implementação de uma transição para longe dos combustíveis fósseis justa, ordenada e equitativa.”

Entre os signatários, estão Colômbia, Alemanha, Ilhas Marshall e Vanuatu. Os dois últimos são ilhas do Oceano Pacífico que correm o risco de desaparecer com o aumento do nível do mar, um dos efeitos da crise climática.

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Ambientalistas reclamam que, apesar de alguns chefes de Estados sinalizarem apoio a essa agenda climática, eles também liberam novas atividades emissoras de gases de efeito estufa no setor de energia.

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Um dos exemplos é a licença para pesquisar a exploração de petróleo na Margem Equatorial da Foz do Rio Amazonas, pelo Brasil.

O governo Lula diz que há segurança técnica e defende usar os lucros do petróleo para financiar a transição verde nos próximos anos.

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“A COP30 demonstrou apoio crescente a um roteiro para o abandono dos combustíveis fósseis, portanto, o resultado de Belém deve incluí-lo para garantir que acabemos com a queima de petróleo, gás e carvão o mais rápido possível. Relatórios e mais negociações não são suficientes. Precisamos de um plano de resposta global”, afirma a diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali.

Segundo ela, outra ausência importante no rascunho é um mapa para acabar com o desmatamento, outra fonte emissora de gases estufa.

Negociações devem se estender pelo fim de semana

Um incêndio na tarde da quinta-feira provocou correria e paralisou as negociações em Belém, mas o espaço da zona azul, onde ocorrem as reuniões entre as delegações dos países, foi reaberto às 20h40. As sessões plenárias devem ser retomadas nesta sexta.

O término oficial da conferência era previsto para esta sexta, mas a expectativa é de que as negociações se estendam pelo fim de semana. Em cúpulas anteriores, o encerramento ocorreu no sábado ou até no domingo.

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