Declarações sobre o Bolsa Família geraram nova onda de controvérsias nas redes sociais e no meio político.
As polêmicas ganharam repercussão após o apresentador Luciano Huck afirmar no mês de maio que programas de transferência de renda não criariam “estímulo” suficiente para que famílias deixem a vulnerabilidade social.

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Huck citou o município de Senhor do Bonfim (BA) e disse que cidades com grande dependência econômica do Bolsa Família acabariam criando “atalhos” para que beneficiários permaneçam no programa “ad aeternum”.
Mais recentemente, o empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan, fez declarações similares no sábado (30), durante a inauguração da megaloja em Taquara, no Rio Grande do Sul.
“Está faltando mão de obra hoje no país. Todo mundo está reclamando. Bolsa Família, muito assistencialismo. As pessoas se acostumam a viver com R$ 600, enquanto podem trabalhar com a gente para ganhar R$ 3 mil, R$ 4 mil, R$ 5 mil”, afirmou Hang.
Quando a polêmica teve início, com a fala de Luciano Huck, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou as polêmicas como artificiais. O ministro afirmou, na terça-feira (26), que as críticas buscam atacar e questionar a eficácia do programa de transferência de renda.
“Tivemos nos últimos dias mais polêmicas artificiais, que se repetem sobre o Bolsa Família no Brasil, para atacar e questionar a eficácia do programa”, declarou Boulos. O ministro defendeu a relevância do programa como política pública e reforçou sua importância internacional.
Boulos ainda respondeu às críticas reforçando o caráter internacional do programa. “É uma política modelo em nível internacional e é importante a gente reiterar isso no momento em que há críticas ao Bolsa Família”, declarou o ministro.
Governo apresenta dados sobre emprego e Bolsa Família
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, apresentou dados sobre o programa na quarta-feira (27). Segundo Dias, 7,1 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família e trabalham simultaneamente com carteira assinada.
O ministro informou que 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza desde 2023 com o novo modelo do programa. Dias mencionou que há 5,9 milhões de pessoas do Bolsa Família “que têm um pequeno negócio, um salão de beleza ou mercadinho”.
Wellington Dias comentou sobre as declarações de Luciano Huck. “Foi feio, tanto que (ele) veio a público se desculpar”, afirmou o ministro. Dias defendeu as mudanças implementadas no programa. “O presidente Lula inovou. As novas regras, por exemplo, são estimuladoras do emprego”, declarou.
O ministro explicou o funcionamento do programa. “De 2023 para cá, esse novo modelo estimulador do emprego, 5,1 milhões famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque saíram da pobreza”, disse Dias.
Sobre as regras atuais, o ministro detalhou: “Com as novas regras, neste mês de maio temos 7,1 milhões de famílias que estão trabalhando com carteira assinada e recebem o Bolsa Família. A gente mede a renda. Se a família está trabalhando, ganha o salário mínimo, mas tem 6 ou 7 pessoas, medimos a renda e vemos que ela não saiu da pobreza. Então ela recebe o Bolsa Família cheio e o salário. Quando essa renda se eleva e ultrapassa a linha da pobreza, ainda assim, para estimular o emprego, ela fica por 12 meses recebendo metade do Bolsa Família mais o salário”.
“No Brasil, nesse crescimento de 5,3 milhões de empregos, sabe quem está indo atrás dos empregos? O povo do Bolsa Família. Cerca de 90% das vagas de empregos novos no Brasil são do nosso povo. Então que história é essa de que o povo não quer trabalhar?”, questionou Dias.
O ministro também destacou beneficiários que se tornaram empregadores. “Muita gente que estava no Bolsa Família e agora é empregador. Cerca de 1,3 milhão de pessoas são empregadas hoje de uma empresária, principalmente mulheres, que era um dia desses do Bolsa Família”, declarou Wellington Dias.
Dias afirmou que o programa “colocou mais de 6 milhões nas classes C, B e A”. O ministro concluiu: “É isso que Lula quer, um país com uma grande classe média”.
Com informações de Estadão Conteúdo.