O governo Lula prepara um novo modelo de financiamento imobiliário que destinará o equivalente a 100% do saldo da poupança para o setor habitacional, ampliando significativamente os recursos disponíveis.
A proposta, em discussão nesta sexta-feira (8), prevê que os bancos concedam em operações de crédito habitacional o valor correspondente à totalidade do saldo da caderneta, mantendo as taxas de juros no máximo nos patamares atuais.

Foto: MasterTux/Pixabay
Hoje, apenas 65% dos depósitos da poupança são direcionados pelos bancos para financiamento imobiliário. Segundo informações do Estadão/Broadcast, com a mudança, as parcelas que atualmente não são destinadas ao crédito habitacional – 20% de depósitos compulsórios no Banco Central e 15% de livre aplicação – seriam gradualmente liberadas até atingir os 100% previstos na proposta.
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O cumprimento do direcionamento será avaliado por meio das “originações de crédito”. Pelo desenho do novo modelo, as concessões de crédito imobiliário valerão por cinco anos para cumprir a meta de destinar 100% do saldo da poupança ao setor.
As instituições financeiras que ofertarem o equivalente a 100% do saldo da poupança para o crédito imobiliário poderão utilizar o mesmo montante em recursos livremente, aplicando em operações de mercado com rendimentos superiores, que potencialmente financiariam juros menores para a modalidade habitacional.
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“Se um banco conceder menos do que o equivalente a 100% do saldo de poupança, ele terá a diferença retida e remunerada nos mesmos moldes da caderneta de poupança”, explicou uma fonte envolvida nas discussões.
Por exemplo, uma instituição que destinar apenas 80% do valor correspondente ao saldo da poupança para crédito imobiliário terá acesso somente a 80% desses recursos para aplicação, com os 20% restantes congelados e com remuneração inferior à de títulos públicos.
O estoque de crédito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) soma atualmente R$ 755 bilhões. Conforme simulações realizadas pela equipe que prepara a medida, os pagamentos de amortização representam, em média, 12,5% do saldo devedor anualmente.
A proposta surge como resposta à estagnação da caderneta de poupança, que apresentou crescimento inferior ao da economia brasileira nos últimos anos. Com esta mudança, o Banco Central busca estabelecer um novo modelo de financiamento que atenda às necessidades estruturais do mercado imobiliário.
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Na última terça-feira (5), representantes da construção civil levaram a Galípolo, do Banco Central, a preocupação de que o novo modelo possa reduzir a oferta de recursos para o financiamento à incorporação.
Com a implementação, o novo sistema forçará uma transição para fontes alternativas de funding, já que o modelo fará com que mais recursos entrem do que saiam do sistema. Na prática, o crédito imobiliário acabará superando o saldo da poupança, obrigando os bancos a buscarem outras fontes de financiamento.
Com informações de Estadão.