O governo dos Estados Unidos concedeu Green Card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que reside no país desde o início de 2025. O documento garante ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) residência permanente no território americano, sem prazo de expiração e sem necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar.

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A concessão foi noticiada pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (20) e confirmada pelo O Globo. O jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, confirmou à redação que o pedido do documento foi feito há mais de um ano. O visto, no entanto, só foi emitido neste mês, após Eduardo comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos.
O Green Card é o visto de residência permanente concedido pelo governo americano a imigrantes autorizados a permanecer indefinidamente no país. A obtenção do documento pode levar décadas e exige um processo detalhado de comprovação de requisitos.
Condenação pelo STF
A concessão ocorre no mês seguinte à condenação de Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O colegiado o considerou culpado por coagir magistrados e por articular sanções do governo americano contra o Judiciário brasileiro, em tentativa de inviabilizar o julgamento da trama golpista em que seu pai foi condenado a 27 anos de prisão.
A pena fixada pelo STF foi de 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de multa equivalente a 100 salários-mínimos. O tribunal também determinou a inelegibilidade imediata de Eduardo por 8 anos, contados a partir do fim do cumprimento da pena.
O momento da concessão coincide ainda com um período de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. As novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros geraram reações diplomáticas, incluindo declarações do secretário de Estado americano Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe.
Situação nos EUA
Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro de 2025, inicialmente com visto de turista, modalidade que permite permanência em solo americano por cerca de seis meses. O ex-parlamentar alegava perseguição pelo Judiciário brasileiro. Diante das limitações do visto temporário, ele havia declarado intenção de solicitar asilo político ao governo Trump como alternativa para regularizar sua situação.
Na época, Jair Bolsonaro defendeu publicamente a permanência do filho no exterior, afirmando que ele “é muito mais útil para o Brasil lá fora do que aqui dentro”. Aliados chegaram a prever o retorno de Eduardo ao Brasil em julho ou agosto deste ano para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo ou compor chapa à Presidência com o apoio do pai.
Desde a saída do país, Eduardo teve o mandato parlamentar cassado por faltas e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal.