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"Confiava cegamente nela, foi esse meu mal": Médico foi envenenado pela secretária por mais de 1 ano, diz MP

Victor Murad, 90 anos, teve mais de meio milhão de reais desviados pela funcionária Bruna Garcia

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Publicado em: 23/02/2026 às 10h:31 Última atualização: 23/02/2026 às 11h:29
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A secretária Bruna Garcia envenenou o cardiologista Victor Murad, 90 anos, com arsênio durante pelo menos 15 meses para ocultar desvios de R$ 544 mil, segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES).

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O crime aconteceu na clínica do médico, onde ela trabalhava desde 2013. Bruna está presa desde outubro e deve ser levada a júri popular por tentativa de homicídio qualificado.

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Arsênio

Foto: Klaus Nielsen/Pexels

Veneno misturado na comida e na água de coco

Bruna misturava arsênio na comida e na água de coco servidas ao cardiologista na clínica, conforme revelou reportagem do Fantástico.

O envenenamento provocou sintomas graves em Victor Murad. Ele sofreu dores intensas, vômitos com sangue, anemia profunda e fraqueza nas pernas.

Os tremores e a rigidez causados pela doença de Parkinson que ele possui se agravaram. A equipe médica que acompanhava o cardiologista não conseguia explicar os sintomas.

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Devido ao mal-estar constante, Victor Murad precisou fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos.

O arsênio usado por Bruna é o mesmo tipo de veneno do caso do bolo envenenado que matou três pessoas da mesma família no RS em 2024.

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Desvios ao longo de 12 anos

A investigação identificou que Bruna desviou recursos das contas do médico ao longo de 12 anos. O promotor Rodrigo Monteiro detalhou a frequência dos saques: “Eram valores de três, quatro, até dez mil reais. Às vezes duas, três transferências no mesmo dia”.

O dinheiro financiava um padrão de vida luxuoso. Bruna fazia viagens para a Disney e se hospedava em hotéis de alto padrão. Ela ostentava nas redes sociais enquanto o patrimônio do cardiologista diminuía sem explicação aparente.

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Confiança traída

Bruna é filha de uma antiga funcionária que trabalhou com Murad por duas décadas. Por causa desse vínculo familiar, a secretária detinha controle total sobre as finanças do médico. Victor Murad não usava ferramentas digitais como o PIX.

O cardiologista desabafou sobre a relação de confiança que mantinha com a secretária: “Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente”.

Ele concluiu: “Sempre a tratei como se fosse uma filha minha, e ela tentando me matar. Ela te mata sorrindo”.

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Descoberta do veneno

A suspeita de crime surgiu após a demissão da secretária. Uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito da clínica.

O desafio da perícia era provar a ingestão da substância meses depois da demissão de Bruna. O arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina. A solução veio da análise de fios de cabelo do médico, que retêm a substância por período prolongado.

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A perita Mariana explicou: “O cabelo foi possível porque o arsênio continua nele. Consegui identificar a substância mesmo três meses depois de não haver mais exposição”.

O laudo pericial confirmou que o envenenamento durou, no mínimo, um ano e três meses.

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Compra do veneno

A polícia descobriu que o veneno foi comprado em nome do marido de Bruna. Ele foi investigado. A polícia concluiu que ele não sabia que a esposa havia usado seus dados para a aquisição.

Defesa nega acusações

O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações: “Ter um laudo que foi envenenado não comprova que a Bruna o envenenou. Pode ter sido outra pessoa, pode ter sido acidental”.

Sobre o dinheiro, a defesa sustenta que toda a movimentação financeira era de conhecimento do médico e devidamente autorizada por ele.

Próximos passos

Victor Murad segue em recuperação em casa. Bruna Garcia permanece presa e aguarda julgamento por tentativa de homicídio qualificado.

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