O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) é um dos produtores-executivos do filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A reportagem do The Intercept teve acesso ao contrato da produção, firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo no dia 30 de janeiro de 2024.
Nesta semana, o orçamento do filme entrou em debate após o mesmo portal revelar que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar Dark Horse.
LEIA TAMBÉM: Flávio Bolsonaro diz que irmão não recebeu recursos, e sim “botou dinheiro” no projeto do filme Dark Horse

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP
Na última quinta-feira (14), Eduardo negou que teria recebido valores advindos do repasse de Daniel Vorcaro.
Mais do que despesas pessoais de Eduardo, que vive autoexilado com a família nos EUA desde março de 2025, investigadores apuram se os recursos também financiaram o lobby do ex-deputado contra autoridades brasileiras em articulação com o governo Trump.
Vorcaro fez doação de R$ 61 milhões para filme
Diálogos divulgados pelo The Intercept mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões – mas não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro tenha sido repassado.
Contrato define Eduardo como produtor-executivo
O documento obtido pelo The Intercept estabelece a GoUp Entertainment, empresa com sede nos Estados Unidos, como produtora do filme. Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL) aparecem como produtores-executivos.
As funções atribuídas aos dois incluíam responsabilidades relacionadas ao controle orçamentário e à administração dos recursos financeiros destinados à produção de Dark Horse.
O contrato especifica que a produtora e os produtores-executivos atuaram em conjunto para realizar atividades de desenvolvimento do filme. Entre essas atividades, o documento menciona “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
A Polícia Federal investiga se o dinheiro doado por Vorcaro foi desviado para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Investigadores analisam se os recursos financiaram não apenas despesas pessoais do ex-deputado, mas também atividades de lobby contra autoridades brasileiras em articulação com o governo Trump.
Uma das linhas de investigação examina se o dinheiro de Vorcaro bancou, de forma indireta, o lobby de Eduardo que pode ter resultado no aumento de tarifas contra produtos brasileiros, na revogação de vistos e na aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades no Brasil.
Eduardo Bolsonaro negou, na quinta-feira, ter recebido valores provenientes do repasse de Daniel Vorcaro. “A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria”, disse o ex-deputado.