Uma professora de artesanato voluntária decidiu montar uma armadilha silenciosa: escondeu um celular na sala de aula e esperou. As imagens que obteve a convenceram de que estava sendo envenenada — e mudaram o curso de sua vida.
Denny Cardoso lecionava em um espaço de artesanato montado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em Pernambuco, quando começou a notar algo estranho na garrafa de água que usava diariamente.

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O caso, investigado pela Polícia Civil de Pernambuco por tentativa de homicídio, foi revelado pelo Fantástico. A suspeita é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, uma aluna que frequentava o curso enquanto acompanhava o filho em tratamento no hospital.
Como as gravações aconteceram
A garrafa em questão havia sido presenteada pela própria Maria Aparecida. Durante cerca de dois meses, Denny bebeu da água diariamente. Nesse período, percebeu bolhas no líquido e um gosto diferente, mas não cogitou algo grave.
A suspeita surgiu quando flagrou a aluna mexendo no recipiente durante uma aula.
“Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro”, relatou Denny.
Antes de engolir a água naquele dia, a professora retirou pequenas “bolinhas” da boca. A partir desse episódio, instalou um celular escondido para registrar o que acontecia na sala quando ela não estava presente.
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As gravações, feitas em junho de 2025, capturam Maria Aparecida cortando um papel com tesoura, despejando o conteúdo na garrafa, agitando o recipiente e saindo da sala.
Com os vídeos em mãos, Denny levou o caso à polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e, dois dias depois, ela retornou ao curso com outro recipiente idêntico. Segundo a professora, a suspeita repetiu o comportamento e voltou a ser filmada.
O que os laudos revelaram
Os laudos periciais confirmaram mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames laboratoriais detectaram o metal também no sangue e na urina de Denny; no sangue, a concentração chegou a 21 mg, cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável.
O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019. Pode causar danos graves ao cérebro e atingir órgãos como rins, intestino e pele.
Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações.
Inquérito aberto e a vida depois do veneno
Mais de um ano após as gravações, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado responsável afirma que as imagens e os depoimentos são relevantes, mas que a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime.
A defesa de Denny cobra agilidade e sustenta que os laudos que confirmaram a presença de mercúrio ficaram prontos poucos dias após o início da apuração.
Maria Aparecida nega as acusações. Em nota ao Fantástico, sua defesa informou que ela tem transtornos mentais, está sob acompanhamento médico e não divulgará informações que possam interferir na investigação.
O delegado, no entanto, afirmou que até o momento nenhum documento foi apresentado para comprovar esse diagnóstico.
A principal linha investigativa aponta ciúmes da amizade entre Denny e o namorado da suspeita como motivação para o crime.