A Polícia Civil do Rio identificou 99 dos 117 mortos durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão nesta terça-feira (29). Entre os identificados, 40 eram de outros estados brasileiros e 42 possuíam mandados de prisão em aberto, informou nesta sexta-feira (31) o secretário Felipe Curi. A ação resultou ainda em 113 prisões, sendo 33 pessoas de fora do Rio.
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O balanço divulgado pela Secretaria de Polícia Civil detalha a origem dos mortos de outros estados. Do total de 40, 13 vieram do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro de Goiás, quatro do Ceará, três do Espírito Santo, um do Mato Grosso e um da Paraíba. Segundo reportagem de O Globo, a operação gerou grande repercussão na cidade, afetando inclusive a rotina de estabelecimentos que cancelaram programações do fim de semana devido à sensação de insegurança.
Durante coletiva, o secretário Curi destacou a presença de lideranças do tráfico de diferentes regiões entre os mortos no Complexo do Alemão.
“E alguns exemplos muito sensíveis que eu vou trazer para vocês aqui. Do Espírito Santo, Russo, chefe do tráfico em Vitória. Do Amazonas, Chico Rato e Gringo, chefes do tráfico em Manaus. Da Bahia, Mazola, chefe do tráfico de Feira de Santana. De Goiás, Fernando Henrique dos Santos, chefe do tráfico naquele estado”, disse Felipe Curi.
A operação ocorreu em áreas que, segundo as autoridades, funcionam como base central do Comando Vermelho (CV) em escala nacional. Curi relacionou a presença de criminosos de outros estados às restrições impostas às operações policiais nos últimos anos.
“Temos que fazer uma reflexão. Na verdade é uma constatação do que a Polícia Civil há cinco anos atrás, com o advento das restrições e limitações das operações policiais implicaria no fortalecimento do crime organizado e aumento das disputas territoriais, aumentos das barricadas. Além disso as favelas se tornariam bases operacionais do crime organizado e se tornariam um local convidativo para que lideranças de outros estados viessem para cá. Nos alertamos e avisamos. Os complexos da Penha e do Alemão até a ocupação de 2010 eram o QG do Comando Vermelho apenas no Rio de Janeiro. A constatação é que esse complexos passaram a ser o QG também do CV nacionalmente”, afirmou o secretário.
Identificações
Dos 99 mortos já identificados, 78 possuíam antecedentes criminais. Entre as 113 pessoas detidas, 10 são adolescentes e 54 têm anotações criminais. Todos os adultos presos tiveram a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
A Polícia Civil ainda não divulgou informações sobre os 18 mortos que permanecem sem identificação. Familiares relatam dificuldades no processo de reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML).
Atuação do CV
A investigação apontou conexões do CV com estabelecimentos legais de armas, incluindo clubes de tiro e lojas especializadas.
Uma denúncia do Ministério Público que fundamentou a megaoperação revela que o grupo criminoso utiliza métodos de tortura como arrastar com carro, banheira de gelo e o que chamam de “massagem”.
Corpos retirados da mata
No dia seguinte à operação, moradores retiraram corpos da mata da Vacaria, área onde ocorreu a maior parte dos confrontos, e os transportaram para uma praça no Complexo da Penha. Imagens da Agência O GLOBO e de Fabiano Rocha mostram familiares tentando reconhecer os mortos no local.
Entre os presentes na praça onde os corpos foram levados, predominava “o silêncio profundo, enquanto muitos se aproximam para tentar reconhecer os mortos”. Um pai que identificou o corpo do filho entre as vítimas desabafou: “Sou feirante: era o que eu podia dar, mas ele não quis”.
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Um especialista em segurança pública comentou sobre a situação: “Nenhum bandido importante no Brasil mora em uma favela”. Já um investigado, ao falar sobre o monitoramento realizado pelo CV nas comunidades, declarou: “Tem que se adequar à tecnologia”.
A repercussão da operação afeta a rotina da cidade, com estabelecimentos cancelando programações do fim de semana devido à sensação de insegurança.