O Observatório Nacional (ON) confirmou que três planetas e a Lua formam uma configuração observável a olho nu no céu brasileiro. O fenômeno astronômico começou na quarta-feira (17) e permanece visível nesta quinta-feira (18) e na sexta-feira (19). A astrônoma Josina Nascimento, do ON, detalha as características do evento e orienta sobre como observá-lo.
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Foto: Observatório Nacional/Divulgação
Observadores em diferentes regiões do Brasil visualizaram no céu a aproximação aparente entre Mercúrio, Vênus, Júpiter e a Lua. Os quatro corpos celestes apresentaram uma configuração que chamou atenção pela estética visual e pela proximidade aparente entre eles.
A astrônoma esclarece que alinhamentos planetários acontecem com frequência. A forma como os astros se posicionaram visualmente caracterizou o evento como excepcional.
“O que vimos ontem foi um fenômeno mais raro, porque eles (os planetas) apareceram alinhados, como sempre, mas aparentemente bem próximos e com a Lua fininha, aparentemente muito próxima de Vênus. É isso que tornou esse fenômeno raro”, explicou a Dra. Josina.
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Por que o fenômeno acontece
A configuração observada ocorre porque os planetas visíveis a olho nu possuem planos de órbita quase coincidentes com o plano da órbita terrestre ao redor do Sol. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno compartilham essa característica orbital.
O plano de órbita da Lua apresenta inclinação de apenas 5 graus em relação ao plano orbital da Terra. Devido a essa característica orbital comum, os planetas e a Lua percorrem no céu um caminho aparente semelhante ao percurso aparente do Sol, denominado eclíptica.
“Eles vão estar sempre nesse caminho da eclíptica, que é também o mesmo caminho onde estão as constelações zodiacais”, explicou a Dra. Josina.
Aproximações aparentes de pelo menos dois planetas acontecem, em média, a cada 13 ou 15 meses. A Lua passa próxima de todos os planetas mensalmente.
Vênus é o planeta mais brilhante do céu, seguido por Júpiter. Vênus permanecerá visível após o pôr do sol até novembro.
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Ocultação visível no Nordeste
Na quarta-feira (17), aconteceu também uma ocultação de Vênus pela Lua. O evento foi visível especificamente na região Nordeste do Brasil. Observadores nordestinos registraram o fenômeno.
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a ocultação não foi visível. Para essas regiões, o fenômeno de aproximação aparente entre os planetas e a Lua permaneceu observável.
O encontro de dois corpos celestes em determinadas condições recebe tecnicamente a denominação de conjunção. O Observatório Nacional divulga mensalmente em suas redes sociais as conjunções que ocorrerão entre planetas e entre Lua e planetas.
Ocultações de planetas pela Lua são eventos muito mais raros. De forma semelhante ao eclipse total ou anular do Sol, quando uma ocultação acontece, não é vista por todas as pessoas que estão observando o Sol, mas apenas em faixas específicas sobre o planeta Terra.
Em setembro de 2020, o Observatório Nacional acompanhou a ocultação de Marte pela Lua pelo Programa “Céu em sua Casa: observação remota”. Na quarta-feira (17), a Lua passou exatamente na frente de Vênus, fazendo o planeta desaparecer por alguns momentos.
A astrônoma Josina Nascimento fornece orientações para quem deseja identificar os astros. Júpiter, por estar em uma posição mais elevada no céu, permanece visível por bastante tempo.
Mercúrio representa um desafio maior para observação. “A condição essencial é ter o horizonte desobstruído, pois Mercúrio aparece bem próximo ao horizonte e se põe muito rapidamente após o pôr do Sol”, disse a astrônoma.
A Dra. Josina indicou a disposição dos astros visíveis após o pôr do sol: “nesta ordem, a partir do horizonte: Mercúrio, Júpiter, Vênus e Lua.”
Nesta quinta-feira (18), a Lua aparecerá mais alta que Vênus. “Se você esticar o braço e abrir a mão, é mais ou menos essa altura que a lua vai estar em relação a Vênus, que são 15º de arco”, explicou a Dra. Josina.
A Lua estará posicionada acima de Vênus a uma distância angular de 15 graus de arco. Na sexta-feira (19), a Lua ocupará uma posição ainda mais elevada no céu, equivalente a duas mãos abertas acima de Vênus.
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Abaixo da Lua, os observadores poderão identificar Regulus, a estrela alfa da constelação de Leão.
A Lua modifica sua posição no céu devido à velocidade de sua órbita. A dinâmica celeste continua nos próximos dias.
Sobre a observação contínua do céu, a astrônoma afirma: “É interessante acompanhar…olhar para o céu em todos os dias, observar onde está a Lua a cada dia e ver o caminho que ela percorre passando pelas constelações da faixa zodiacal e passando ‘perto’ dos planetas.”
O Observatório Nacional promoverá uma transmissão especial em seu canal no YouTube no sábado (20). A iniciativa integra o projeto “O Céu em Sua Casa: observação remota”, que completa seis anos neste mês.
A transmissão apresentará imagens capturadas por parceiros e seguidores do ON em diferentes regiões do Brasil. A Dra. Josina Nascimento convida o público para acompanhar a transmissão especial.
O Observatório Nacional divulga mensalmente informações sobre fenômenos astronômicos, incluindo chuvas de meteoros e eclipses, em suas redes sociais e site oficial.