Especialistas explicam que vinho e cerveja apresentam menor risco de contaminação por metanol, mas não estão totalmente livres do perigo que já causou cinco mortes em São Paulo.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública investiga nesta quarta-feira (1º) a comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas em bares e adegas paulistas, após confirmação de óbitos por intoxicação com a substância tóxica.
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Foto: Pixabay
Segundo o professor Thiago Correra, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), entrevistado pelo O Globo, o metanol pode aparecer naturalmente em pequenas quantidades no vinho devido à fermentação das cascas de frutas ricas em pectina, mas geralmente em níveis baixos e dentro dos limites regulamentados.
Já a cerveja apresenta risco quase inexistente. Conforme reportagem publicada pelo portal, a preocupação com a contaminação por metanol tem crescido após os recentes casos fatais registrados.
“O problema mais grave está na adulteração criminosa. Destilados como cachaça, aguardente e uísque oferecem maior risco de conter metanol em níveis perigosos, principalmente quando produzidos clandestinamente”, explica o químico da USP.
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A contaminação por metanol ocorre de diferentes formas nas bebidas alcoólicas. Durante a fermentação natural de frutas ou por falhas na destilação, quando a parte inicial do processo, conhecida como “a cabeça”, não é devidamente separada e descartada.
Pessoas mal-intencionadas também adicionam metanol industrial às bebidas para elevar artificialmente o teor alcoólico, prática que coloca em risco a saúde dos consumidores.
As intoxicações foram registradas recentemente em São Paulo, onde as autoridades sanitárias monitoram casos com sintomas compatíveis com envenenamento por metanol. A fiscalização foi intensificada em estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas para prevenir novos casos.
Os casos fatais ocorreram após o consumo de produtos adquiridos em estabelecimentos que comercializavam bebidas de procedência duvidosa. O problema afeta especialmente pessoas que compraram produtos com preços muito abaixo do valor de mercado.
Um ponto importante destacado pelos especialistas é que não é possível identificar visualmente o metanol. Tanto o metanol quanto o etanol (álcool encontrado normalmente em bebidas) são líquidos incolores com odores semelhantes, tornando impossível a diferenciação a olho nu, especialmente quando misturados a uma bebida.
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A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) divulgou orientações para consumidores identificarem bebidas seguras. Entre as recomendações estão: verificar se a vedação da garrafa está intacta; observar se as bebidas seguem um padrão uniforme de quantidade de líquido; conferir se os rótulos estão em português e contêm o número de registro do Ministério da Agricultura; desconfiar de preços muito abaixo da média; e comprar apenas em estabelecimentos confiáveis.
Os sintomas da intoxicação por metanol incluem dor a cabeça, náuseas, vômitos, dor abdominal, confusão mental e problemas de visão, que podem variar desde visão turva repentina até casos de cegueira completa.
A diferença crucial entre metanol e etanol está na forma como são processados pelo organismo: enquanto o etanol é metabolizado e eliminado pela urina, o metanol se converte em formaldeído e posteriormente em ácido fórmico, compostos altamente tóxicos.
As autoridades de saúde recomendam que qualquer pessoa que apresente sintomas após o consumo de bebidas alcoólicas procure atendimento médico imediatamente, especialmente se manifestar os sinais característicos de intoxicação por metanol. O especialista da USP também alerta que qualquer bebida pode ser contaminada se o metanol for adicionado propositalmente no momento do serviço, diretamente no copo do consumidor.