A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes sociais nesta quarta-feira (24) para tornar público o atrito que mantém com o enteado Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Ela afirmou ter levado uma “punhalada” e relatou ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador ao telefone.

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Em duas postagens com cerca de 26 minutos de duração total, Michelle centrou sua fala nas articulações do PL no Ceará e no apoio de Flávio ao deputado André Fernandes (PL-CE) numa aliança com Ciro Gomes (PSDB) para o governo estadual. A ex-primeira-dama defende que o partido apoie Eduardo Girão (Novo) no primeiro turno, não Ciro.
Origem do atrito
A tensão começou ainda no final de 2025, quando Michelle se declarou contrária a qualquer apoio a Ciro Gomes, decisão que gerou reações e críticas dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), incluindo Flávio. Michelle afirma que, na ocasião, redigiu uma nota pedindo perdão, mas sustentou sua posição.
“Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras tomaram tão agressivo, defendendo André Fernandes e em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides”, declarou a ex-primeira-dama.
Michelle avaliou que Ciro Gomes foi um dos principais responsáveis pelo processo que levou à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para ela, os filhos do ex-presidente defendem “como se nada tivesse acontecido” uma aliança com quem “deixou o pai deles inelegível e humilhado”.
Telefonema e humilhação
A ex-primeira-dama relatou que Flávio não a procurou antes de publicar suas críticas nas redes. Ela tentou contatá-lo sem sucesso e, horas depois, recebeu um retorno que descreveu como hostil.
“Mas sinceramente, para falar o que ele [Flávio] me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem.”
Segundo Michelle, Flávio não voltou a procurá-la desde aquele dia. Ela disse ter se recolhido e assim permanece.
Perdão sem reconciliação
No vídeo, Michelle afastou a ideia de que teria condicionado seu apoio a Flávio a um pedido de desculpas públicas. “Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, declarou.
Ainda assim, fez uma distinção entre perdão e continuidade do relacionamento; “Perdoar não é o mesmo que esquecer o querer continuar o relacionamento. São coisas completamente diferentes. Posso perdoar a alguém de coração e ainda assim reconhecer que aquela relação não é saudável. Perdão é libertação, não é obrigação.”
Sobre as eleições no Ceará, reiterou a posição; “Segundo, não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adie para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção.”
Michelle também negou ter ambições à Presidência e disse que sua prioridade é a família. Ela é tida como pré-candidata ao Senado, mas não oficializou essa intenção. Ao encerrar o vídeo, afirmou que, apesar de tudo, “abençoou a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio”.
A ex-primeira-dama ainda fez referência a um grupo de pessoas próximas no exterior que, segundo ela, a atacaria cotidianamente. Sem citar nomes, disse que “alguns desses influenciadores estavam nos EUA” e que publicam conteúdos retirando o sobrenome Bolsonaro de seu nome. “Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos”, respondeu.