A farsa de uma mulher de 37 anos que fingia ser uma criança de 11 anos para enganar casais virou caso de Justiça. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou formalmente a acusada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Foto: Redes sociais
A denúncia foi recebida pelo Judiciário na tarde de terça-feira (9), transformando a investigada em ré na ação penal. O foco do MPSC com a denúncia é garantir a condenação da mulher, que é acusada de criar um esquema elaborado de manipulação emocional para obter vantagens materiais em Joinville.
O esquema e a manipulação emocional
De acordo com a ação narrada pela promotora de Justiça Viviane Soares, responsável pelo caso, a acusada criou a identidade fictícia de Gabriele Ferreira dos Santos. Fingindo ser uma menor de idade, ela conseguiu ser acolhida pelas vítimas, que passaram a custear integralmente a sua subsistência entre fevereiro de 2025 e junho de 2026.
Durante esse período, o casal arcou com gastos de moradia, alimentação, transporte, comemoração de aniversário e até canetas emagrecedoras.
Para dar credibilidade à história e sensibilizar as vítimas, a ré utilizava uma narrativa de graves abusos, alegando sofrer maus-tratos por parte de familiares e exploração. O Ministério Público aponta que ela adotou comportamentos totalmente compatíveis com a infância, utilizando fala infantilizada, objetos típicos de crianças e simulando crises emocionais frequentes.
LEIA TAMBÉM: Genial/Quaest: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno; confira a pesquisa
A promotora ressaltou a gravidade da conduta atribuída à denunciada e reforçou a necessidade de punição. “Os elementos colhidos indicam um esquema elaborado de fraude, com a criação de uma identidade fictícia e a manipulação emocional das vítimas para obtenção de vantagens indevidas, o que demanda a devida responsabilização criminal”, afirmou a promotora.
Histórico de atuação em várias cidades
A denúncia do Ministério Público baseia-se em investigações que demonstram que o caso de Joinville não foi um fato isolado. De acordo com o auto de prisão em flagrante e as informações do inquérito policial, a acusada já teria adotado condutas similares em diversas outras cidades e estados do país.
O histórico aponta passagens por Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Em Santa Catarina, além de Joinville, ela já atuou em Florianópolis e na cidade de Chapecó, onde inclusive já responde a uma ação penal por fatos semelhantes.
Avaliação da sanidade mental e suspensão do processo
Paralelamente ao andamento da denúncia, uma decisão judicial determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar a real condição psicológica da investigada, que foi presa em flagrante.
A medida atende a um pedido apresentado pela defesa e prevê a realização de um exame médico pericial para verificar se a mulher tinha capacidade de responder pelos próprios atos no período em que os crimes foram cometidos.
LEIA TAMBÉM: Governo prevê aumento de etanol na gasolina de 30% para até 32%
A instauração desse incidente surge como uma etapa paralela e crucial para o desfecho do caso. Se o laudo médico constatar que a ré não tinha plena capacidade de entendimento ou de autodeterminação na época dos fatos, o resultado influenciará diretamente os rumos da ação penal, abrindo a possibilidade de aplicação de uma medida de segurança em vez de uma pena de prisão tradicional.
Enquanto a Justiça aguarda a realização do exame e a entrega do laudo oficial, o processo principal da ação penal ficará suspenso.