“Não há pacificação com impunidade”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o discurso na abertura do Debate Geral da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento acontece em Nova York, nos Estados Unidos.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente do Brasil criticou as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, por conta do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia”, disse.
“A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias”, afirmou.
Lula também criticou quem chamou de “falsos patriotas”. “Arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.”
O petista disse que o Brasil, “mesmo sob ataque sem precedentes”, decidiu “resistir e defender sua democracia”. “Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades, cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias cívicas e digitais e cerceiam a imprensa.”
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O presidente decidiu não falar nominalmente sobre Bolsonaro, mas foi explícito ao mencionar o caso do ex-presidente. Disse que ele foi condenado por tentar dar um golpe de Estado “em um processo minucioso” e que ele “teve amplo direito de defesa”.
“Há poucos dias e pela primeira vez em nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado democrático de direito. Foi investigado, indiciado e julgado e responsabilizado por seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas”, afirmou Lula.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e aqueles que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, disse, sob aplausos. E continuou: “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.”
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Lula disse que a Assembleia Geral das Nações Unidas “deveria ser um momento de celebração”, já que a ONU “simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e prosperidade”.
“Hoje, contudo, ideais que inspiraram seus fundadores estão ameaçados como nunca estiveram em sua história. O multilateralismo está diante de uma nova encruzilhada. A autoridade desta organização está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra”, afirmou, em crítica direta ao poder da ONU hoje em dia e sua autoridade para evitar conflitos mundo afora.
*Com reportagem do ABCMais