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MISTÉRIO EM LISBOA

Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal após 15 anos de desaparecimento; veja o que se sabe até o momento

Consulado do Brasil em Lisboa confirma ter recebido documento e Itamaraty revela mais sobre; saiba o que dizem instituições e família de Eliza

Publicado em: 06/01/2026 às 12h:59 Última atualização: 06/01/2026 às 14h:57
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José* chegou em casa após um longo dia de trabalho em Lisboa, capital de Portugal, e foi pegar uma roupa no varal. Foi quando algo chamou a atenção do brasileiro: um passaporte, guardado em meio aos livros, em uma estante. Ao abrir, qual não foi a surpresa do homem ao perceber a quem pertencia: ninguém mais, ninguém menos que Eliza Samudio.

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Passaporte da Eliza Samudio foi encontrado em Lisboa, Portugal | abc+



Passaporte da Eliza Samudio foi encontrado em Lisboa, Portugal

Foto: Redes Sociais/Reprodução

O encontro do documento foi parar na mídia nessa segunda-feira (5), após José* ter dado uma entrevista ao Portal Leo Dias, nas condições de que permaneceria em anonimato.“Quando encontrei o documento e vi de quem era, por se tratar de uma pessoa que foi um caso que teve grande repercussão no Brasil e no mundo inteiro, já fiquei em choque”, disse ele.

Além da veracidade do documento, também fica a dúvida: como o documento teria ido parar na casa de pessoas que, até o momento, não teriam qualquer envolvimento com Eliza? E por qual motivo ele teria sido encontrado somente agora, mais de 15 anos após a modelo ser declarada morta?

Onde o passaporte de Eliza Samudio foi encontrado

O passaporte foi encontrado na estante da sala, em uma casa compartilhada por duas famílias. Ela possui quatro quartos e, em um deles, dorme José, junto aos familiares. Nos outros, estão uma senhora e um rapaz.

Somente os quartos são individuais. Outros ambientes da casa, como a cozinha e a sala, são compartilhados entre todos os moradores.

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O brasileiro contou que trabalha longe de casa, ficando entre 15 e 20 dias fora. No dia em que encontrou o documento, ele chegou e foi buscar uma roupa no estendal, como os portugueses chamam o varal de roupas.

Como o ambiente não possui um pátio, os varais são portáteis e ficam no chão, em uma espécie de varanda. Para chegar ao local, é preciso passar por uma estante de livros na sala, ao lado da cozinha. Em cima de uma das obras, estava o passaporte.

“Na hora, eu fiquei em choque porque não é uma pessoa qualquer”, disse José*. “Pela foto, eu já sabia de quem era.”

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A partir de então, ele decidiu levar o documento para as autoridades, indo até o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. Antes, no entanto, mostrou o passaporte em vídeo.

O passaporte que supostamente seria de Eliza Samudio

Nas imagens do passaporte, é possível ver a foto de Eliza Samudio, assim como apenas um carimbo de entrada para Portugal, datado de 5 de maio de 2007. O Itamaraty afirma que o documento já está expirado.

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O que diz a embaixada do Brasil em Portugal

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou à reportagem do ABCmais que recebeu o passaporte na sexta-feira (2), no final da semana passada, e desde então aguarda as instruções do Itamaraty sobre como proceder.

Apesar de ser questionado sobre a perícia, a embaixada do Brasil em Lisboa afirmou que “o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros”.

Documento expirado: O que diz o Itamaraty

Ainda para a reportagem, o Itamaraty afirmou que instruiu que o passaporte, que já está expirado e cancelado, fosse remetido para a sede da instituição, em Brasília. Ele vai ficar à disposição da família, caso queiram receber o documento, o que é uma vontade da mãe de Eliza.

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“Não temos paz”: O que diz a família de Eliza Samudio

O irmão mais novo de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, disse acreditar que o passaporte é real e que todos os dados são da irmã. No entanto, reiterou ao portal de notícias CNN Brasil que não tem informações oficiais das autoridades, já que não fala com a mãe.

Já a madrinha, Maria do Carmo, que é representante legal de Sônia Moura, mãe da modelo, desabafou ao g1: “Nós não temos paz”. “Se for um documento original, nós queremos ter ele. É uma lembrança da Eliza. Se for dela, Sônia tem o direito de ter ele de volta”, disse.

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Ela também relatou como a divulgação desse passaporte é “uma crueldade com Sônia e Bruninho”. “Tudo isso não passa de um factoide lamentável em cima da dor de dois seres humanos. Não há qualquer dúvida de que Eliza está morta.”

Bruninho, filho de Eliza com Bruno Fernando de Souza, que foi julgado e condenado pelo assassinato da modelo em 2013**, não se manifestou sobre.

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O que diz a Polícia Civil

Questionada pela reportagem do ABCmais sobre a possibilidade do caso de Eliza Samuido ser reaberto, durante a manhã desta terça-feira (6), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que “não comenta investigações já concluídas e enviadas à Justiça”.

Relembre o caso de Eliza Samudio

Em 4 de junho de 2010, a modelo paranaense Eliza Samudio desapareceu. Na época, alguns amigos relataram ter recebido mensagens dela, dizendo que iria fazer uma viagem. No entanto, ela nunca mais foi vista.

Eliza tinha 25 anos quando sumiu. O principal suspeito era Bruno Fernando de Souza, na época goleiro do Flamengo. Os dois mantinham um relacionamento extraconjugal que foi à público, quando a modelo declarou que estava grávida do jogador.

Conhecido como goleiro Bruno, o atleta negava a paternidade de Bruninho, que recém havia nascido quando Eliza desapareceu.

Em março de 2013, ele foi considerado culpado de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, sentenciado a 22 anos e três meses de prisão. Ele também foi condenado por sequestrar Bruninho, na época bebê.

Eliza foi considerada morta pelas autoridades, após alguns dos criminosos envolvidos confessaram que participaram do assassinato da jovem. No entanto, o corpo dela nunca foi encontrado, nem mesmo um fio de cabelo.

A ex-mulher do goleiro Bruno também foi julgada, mas foi inocentada. Além dela, outras pessoas foram julgadas pelo crime.

*José é o nome fictício da fonte do portal Leo Dias, adotado pela reportagem para o melhor entendimento do leitor, enquanto mantém o anonimato do homem.

**CORREÇÃO: A data foi corrigida Às 14h57

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