abc+

POLÍTICA

Prisão perpétua no Brasil? Mudanças na Constituição para endurecer punições são articuladas na PEC da Segurança

Parlamentares planejam referendo popular em 2026 para validar prisão perpétua e evitar questionamentos no STF; entenda

ico ABCMais.com azul
Publicado em: 17/11/2025 às 20h:56 Última atualização: 17/11/2025 às 21h:01
Publicidade

Deputados federais trabalham na ampliação da PEC da Segurança Pública para acabar com a progressão de pena para crimes considerados “super-graves” e possibilitar a prisão perpétua mediante consulta popular. O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), planeja finalizar o parecer até 4 de dezembro, transformando o texto inicial do governo Federal em uma proposta mais abrangente.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Parlamentares planejam referendo popular em 2026 para validar prisão perpétua e evitar questionamentos no STF | abc+



Parlamentares planejam referendo popular em 2026 para validar prisão perpétua e evitar questionamentos no STF

Foto: EBC

A PEC da Segurança, originalmente elaborada pelo Executivo para ampliar o papel da União na coordenação de ações contra o crime, receberá dispositivos mais rigorosos durante sua tramitação na Câmara. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o relator indicou que a proposta sairá “mais robusta e ousada” após as modificações previstas.

Entre as principais alterações está a inclusão de um mecanismo constitucional para impedir a progressão de regime para crimes graves contra a vida, estupro seguido de morte e participação em organizações criminosas. No projeto Antifacção, há previsão de benefícios penais apenas após o cumprimento de 85% da pena, mas na PEC a determinação seria de “progressão zero” para esses casos.

LEIA MAIS: Votação do PL Antifacção ocorre nesta terça-feira (18); saiba mais

Publicidade

A inclusão desses dispositivos na Constituição Federal busca evitar questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2006, por 6 votos a 5, a Suprema Corte declarou inconstitucional um artigo de lei ordinária que proibia a progressão de regime para crimes hediondos.

A proposta também contempla a possibilidade de prisão perpétua para crimes classificados como “super-graves”. O presidente da comissão especial da PEC, deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA), defende a medida para casos extremos como “feminicídio quando se mata a mãe na frente do filho, crime de facção com chacinas e homicídios triplamente qualificados”.

Para evitar questionamentos no STF, os parlamentares planejam condicionar a prisão perpétua a um referendo popular durante as eleições de 2026. “Nós remeteríamos para a população decidir. Seria para crimes classificados como acima de hediondos”, explicou Mendes.

Publicidade

O Ministério da Justiça se posiciona contra essas adições, mas o texto está sob controle do Congresso Nacional. Se aprovada na Câmara e no Senado, a PEC entraria em vigor sem necessidade de sanção presidencial, diferentemente dos projetos de lei.

A PEC da Segurança Pública tramita paralelamente ao projeto Antifacção, cuja votação está prevista para a próxima semana. Parlamentares da oposição acreditam que pontos mais polêmicos podem ser retirados do PL e incorporados à proposta constitucional, que tem maior força jurídica.

Publicidade

O relator também indicou a possibilidade de incluir a execução da pena após condenação em segunda instância, alterando o sistema atual que exige o trânsito em julgado para o início do cumprimento da pena. Esta medida pode enfrentar resistência no STF, já que a presunção de inocência é considerada “clausula pétrea” da Constituição.

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

A PEC deve incorporar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, seguindo modelo semelhante ao do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2018, o Susp funciona apenas por lei ordinária.

Publicidade

A proposta também prevê a criação da Polícia Viária Federal, substituindo os termos “polícias rodoviária e ferroviária federais” no artigo 22 da Constituição. Esta seria a primeira polícia ostensiva sob jurisdição federal, com atuação em rodovias, ferrovias e hidrovias.

Para a Polícia Federal, a PEC amplia o escopo de atuação, permitindo expressamente a investigação de crimes ambientais e relacionados a “milícias privadas”. Já para as Guardas Municipais, o texto fixa atribuições baseadas no entendimento do STF que autoriza o “policiamento ostensivo” por estes agentes.

Publicidade

A proposta estabelece ainda corregedorias com “autonomia” funcional para “apurar responsabilidade funcional dos profissionais dos órgãos de segurança pública e defesa social caberá às corregedorias, por meio de sindicâncias e processos administrativos disciplinares”.

No aspecto financeiro, a PEC constitucionaliza os Fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário Nacional para “garantir recursos para apoiar projetos, atividades e ações nessas áreas”, vedando o contingenciamento destes recursos.

Publicidade

Ainda não se sabe como o STF reagirá às mudanças propostas, especialmente aquelas que podem conflitar com cláusulas pétreas da Constituição, como a presunção de inocência.

A partir da aprovação da PEC, o Brasil passaria a contar com uma estrutura de segurança pública mais integrada nacionalmente, com bases de dados e procedimentos padronizados entre as diferentes forças policiais.

Publicidade