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Quem é Daniel Vorcaro, dono do banco Master que tentou fugir da PF de jatinho

Banqueiro de 41 anos tem estilo de vida de ostentação; chegou a realizar festa de 15 anos da filha ao custo estimado de R$ 15 milhões

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Publicado em: 18/11/2025 às 11h:27 Última atualização: 18/11/2025 às 11h:29
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Daniel Vorcaro é um banqueiro mineiro de 41 anos que foi preso nesta terça-feira (18) e afastado do comando do Banco Master após a liquidação da instituição pelo Banco Central.

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Vorcaro sempre declarou não ter sido aceito pela Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo. Seu nome aparecia frequentemente em conversas informais entre executivos do setor, geralmente por questionamentos sobre sua conduta nos negócios ou exposição social excessiva.

Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master | abc+



Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master

Foto: Divulgação

O banqueiro conduziu o Master desde 2016, quando comprou participação no banco Máxima. A liquidação afetou diversos investidores, incluindo fundos de pensão estaduais e municipais, além do Banco da Amazônia.

O Master ocupava dois andares nos pontos mais altos de um dos endereços mais valorizados da Faria Lima, no mesmo prédio onde funcionam o Google e o BTG, conhecido como “Baleia”. Vorcaro aparecia constantemente em destinos internacionais de luxo, como Saint Tropez, na França.

Crise

A medida ocorre em meio à crise que se intensificou neste ano, quando se tornou pública a tentativa de venda do banco ao BRB.

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O BC identificou problemas administrativos no banco e investigará a responsabilidade do banqueiro por possíveis irregularidades. Segundo informações do Estadão, esta apuração determinará se Vorcaro poderá continuar atuando no sistema financeiro brasileiro.

A liquidação acontece após período de instabilidade no Master, que adotou estratégias agressivas de captação desde 2021. Mesmo durante a crise, o banqueiro manteve estilo de vida ostensivo, com forte presença em redes sociais e viagens internacionais.

Ainda não há definição sobre como os investidores dos fundos de pensão serão ressarcidos após a liquidação, especialmente aqueles com valores acima do limite garantido pelo FGC.

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O BC conduzirá investigação para apurar as responsabilidades de Vorcaro na gestão do banco. Se comprovadas irregularidades, ele poderá ser impedido de atuar no mercado financeiro brasileiro.

Quando as negociações com o BRB enfrentaram obstáculos, Vorcaro começou a vender ativos. Aproximadamente R$ 1,5 bilhão em bens pessoais foram vendidos ao BTG Pactual.

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Estilo de vida de ostentação

Antes mesmo que a necessidade de venda do Master se tornasse pública, o banqueiro já era conhecido por seu estilo de vida ostentativo.

Ele adquiriu o Fasano Itaim como pessoa física (posteriormente vendido ao BTG), investiu no Clube Atlético Mineiro e realizou uma festa de debutante para sua filha com custo estimado em R$ 15 milhões.

Para esta celebração no Condomínio Miguelão em Nova Lima (MG), Vorcaro asfaltou a estrada de terra que dá acesso ao local, paralela à BR-040, e ofereceu aos vizinhos cestas e diárias no Fasano Belo Horizonte, caso se incomodassem com o evento.

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Em 2023, sua família comprou uma mansão em Orlando por US$ 37 milhões, considerada a mais cara já negociada na Flórida Central, com 3,5 mil m² de área construída.

O banqueiro mantinha presença ativa nas redes sociais, compartilhando momentos com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff. Segundo informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, em julho, um vídeo de Vorcaro em um beach club em Saint Tropez circulou em grupos de WhatsApp de banqueiros.

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Na ocasião, ele havia acabado de participar de reuniões com a direção do BC para negociar a venda ao BRB, mas teria usado um jato privado para aproveitar o verão europeu no intervalo entre as negociações.

Nas conversas informais entre participantes do mercado quando o tema Master surgia, uma frase comum era: “Não sei o que vai acontecer no meio do caminho, mas o fim dessa história dá para prever”.

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Apesar das desconfianças sobre a sustentabilidade do negócio, a liquidação não era considerada certa devido às conexões políticas de Vorcaro, que construiu relações com ministros do governo Lula e aliados de Bolsonaro.

O Master também contava com um “comitê de notáveis”, que incluía ex-presidentes do BC como Henrique Meirelles e Gustavo Loyola.

Vorcaro iniciou sua trajetória no Master em 2016, ao adquirir participação no banco Máxima. Esta instituição esteve envolvida em esquema de desvio de recursos de previdências municipais entre 2010 e 2017, tornando-se alvo da operação “Fundo Fake” da Polícia Federal.

Prisão

A Polícia Federal monitorou os passos de Daniel Vorcaro antes de deflagrar a operação desta terça-feira, 18, para apurar crimes envolvendo a gestão do banco.

Na véspera da operação, porém, os investigadores detectaram que Vorcaro organizava uma tentativa de fuga ao exterior por meio do Aeroporto de Guarulhos.

A suspeita é que a informação do mandado de prisão já tinha vazado para o dono do banco e ele buscava escapar do cumprimento da ordem. Procurada, a defesa do empresário ainda não se manifestou.

Os investigadores, então, tiveram que antecipar o cumprimento da prisão de Vorcaro, antes mesmo de deflagrar a operação.

Na noite de segunda-feira (17), o dono do Banco Master tentou embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior. Porém, foi interceptado pela Polícia Federal no aeroporto, onde recebeu a ordem de prisão, por volta das 22h.

Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo. Na manhã desta terça, a PF foi às ruas para deflagrar o restante da operação. Estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, dois de temporária e 25 mandados de busca e apreensão.

Outro alvo de prisão, Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Master, também não foi encontrado em sua casa pela PF no momento da deflagração, mas foi preso pouco depois.

Suspeita

A suspeita da investigação é que o banco Master fabricou carteiras falsas de crédito para vendê-las ao BRB. São investigados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, dentre outros.

O Banco Central decretou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, menos de um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.

Com informações de Estadão.

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