O cenário climático para o restante de 2026 acaba de ganhar um novo e preocupante capítulo com a detecção de um fenômeno atmosférico de grandes proporções no Oceano Pacífico.
De acordo com projeções da MetSul Meteorologia, a formação de um fenômeno conhecido como Estouro de Vento de Oeste (WWB, na sigla em inglês) deve acelerar drasticamente a chegada do El Niño.
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Foto: NASA/ARQUIVO
O que mais chama a atenção dos meteorologistas é a magnitude desse evento, descrito como “notável” e “um dos mais fortes já vistos”, o que eleva consideravelmente as probabilidades de um episódio de El Niño muito forte ou até mesmo um Super El Niño ainda este ano.
No Brasil, por exemplo, o padrão mais comum durante um El Niño clássico é o aumento da chuva no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e do Nordeste, além de temperaturas médias mais elevadas.
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O que acontece para esse cenário?
Para compreender o impacto dessa mudança, é preciso analisar a dinâmica natural dos ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para Oeste, mantendo as águas quentes concentradas próximas à Ásia e as águas frias na costa da América do Sul.
O Estouro de Vento de Oeste rompe esse equilíbrio ao projetar rajadas anormalmente intensas no sentido oposto, empurrando a massa de água quente para o Centro e o Leste do Pacífico. Esse deslocamento funciona como um gatilho inicial que altera toda a estrutura térmica do oceano e prepara o terreno para o aquecimento global característico do El Niño.
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A influência desse fenômeno vai muito além da superfície marítima, gerando as chamadas ondas Kelvin. Essas ondas se propagam em direção à América do Sul e aprofundam a termoclina, que é a camada de transição entre as águas superficiais aquecidas e as profundezas geladas.
Quando a termoclina se aprofunda, a subida de águas frias – processo essencial para o equilíbrio térmico – é interrompida, o que favorece um aquecimento ainda mais persistente e intenso na superfície do mar.
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Historicamente, grandes desastres climáticos e anos de calor recorde, como 1982, 1997 e o biênio 2023-2024, foram precedidos por sucessivos eventos de WWB semelhantes ao que se desenha agora.
Além da mecânica oceânica, o Estouro de Vento de Oeste interage diretamente com a Oscilação Madden-Julian, que organiza grandes áreas de tempestades nos trópicos. Essa união cria um ciclo de retroalimentação perigoso: quanto mais o oceano se aquece, mais ele estimula a formação de novas nuvens e tempestades, que por sua vez geram novos pulsos de ventos de oeste.
Como resultado, o processo de transição climática, que poderia ser lento e gradual, torna-se acelerado e potencialmente extremo, colocando o ano de 2026 em uma rota de monitoramento crítico para governos e setores produtivos em todo o mundo.