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EFEITO FELCA

YouTube apaga canais com até 14 milhões de seguidores por vídeo impróprio com criança

Entre os afetados estão os influenciadores João Caetano, Taspio e Bel para Meninas; nenhum vídeo deles pode mais ser acessado na plataforma

Publicado em: 29/08/2025 às 16h:47 Última atualização: 29/08/2025 às 16h:48
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O YouTube passou a remover nos últimos dias canais inteiros, com até 14 milhões de seguidores, que tinham conteúdos com crianças e adolescentes considerados inapropriados ou com violações de direitos. O movimento acontece após a grande repercussão da denúncia do influenciador Felca sobre adultização, que resultou na aprovação nesta semana de um projeto de lei para proteção infantil nas redes.

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Youtubers João Caetano e Taspio tiveram seus canais banidos | abc+



Youtubers João Caetano e Taspio tiveram seus canais banidos

Foto: Reprodução / Rede social

Entre os canais excluídos de um dia para outro estão os dos youtubers João Caetano, Taspio e ainda do casal Paty e Dedé, todos tinham vídeos que mostravam histórias vividas por menores em situações apontadas como vexatórias, violentas ou com conotação sexual. Os influenciadores, todos adultos, participavam das narrativas, filmando e estimulando situações.

Foram apagados também os canais Bel para Meninas, denunciado por Felca por ter vídeos com humilhações desde que a menina era criança – hoje ela tem 18 anos – e o de Fran, mãe da garota.

A reportagem procurou os influenciadores por meio de seus perfis em outras mídias sociais, mas não obteve retorno. Parte deles tem ido às redes para criticar o banimento.

Os vídeos tiveram aumento de denúncias nos últimos dias e passaram por avaliação da plataforma, que já vinha alertando os proprietários sobre conteúdos que violavam as políticas de segurança infantil. Alguns deles já tinham perdido a monetização – a possibilidade de ganhar dinheiro com o canal – também por desrespeitar as regras, antes de serem apagados.

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O YouTube confirmou as remoções e afirmou que “conteúdo que visa menores de idade e famílias, mas que contém temas sexuais ou violência, ou que de outra forma coloca em risco o bem-estar emocional e físico de menores, não é permitido” e é retirado da plataforma “assim que é identificado”.

Quando os canais são removidos, eles não voltam à plataforma, a não ser que haja decisão judicial contrária.

Além das remoções, diversos influenciadores que fazem vídeos com crianças e adolescentes, como Emily Vick, que tem 26 milhões de seguidores, têm apagado conteúdos específicos, temendo denúncias. O movimento teve repercussões nas redes socais, com reações indignadas de fãs e também apoio aos banimentos.

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Com 14 milhões de seguidores e 13 anos no Youtube, o paranaense João Caetano, que ostenta carros de luxo e roupas Louis Vuitton agora somente no seu perfil Instagram, chamou o banimento de “perseguição”. “Estou sem chão, com certeza é a pior fase da minha vida”, disse em um vídeo nos stories.

Em uma das histórias com adolescentes, um deles pula de uma janela alta numa piscina e se machuca – Caetano continua filmando. Em outro vídeo, supostamente temendo ser pego numa traição, ele esconde meninas de biquíni quando sua namorada chega em casa.

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O irmão mais novo do influencer já deu declarações dizendo que se sentiu afetado por ter sido mostrado, aos 10 anos, de forma humilhante no canal.

O casal Paty e Dedé, irmã e cunhado de Caetano, tinha 7,5 milhões de inscritos, e mostrava, além da própria rotina, histórias de crianças se relacionando, que incluíam brigas e cenas sugerindo namoros entre menores de 10 anos. Assim como em outros canais com o mesmo perfil, não fica claro se as crianças são contratadas ou conhecidas da família.

Há também uma reprodução de cenas da série da Netflix Round 6, proibida para menores de 16 anos por conter violência explícita, mortes e tortura. Um adulto filma a encenação e diz “senta bala nele”, quando o menor perde o jogo; a criança então finge morrer baleada.

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Em outro vídeo, Paty diz que o próprio filho não será punido por algo que fez de errado se o canal chegar a 2 milhões de seguidores.

Alguns dos vídeos de todos os influenciadores banidos ainda estão disponíveis em canais que publicavam edições dos conteúdos principais.

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Paty e Dedé publicaram um vídeo em que choram e dizem que não foram informados da razão do canal ter “sumido”. “A gente sabe que está acontecendo muita coisa no Brasil, mas a gente trabalha há anos para uma plataforma que simplesmente apaga nossa história.”

“Se não mudar, vamos para Portugal’”, diz influenciador banido

Taspio, que começou sua carreira como youtuber com vídeo de games, passou nos últimos anos também a produzir realities com crianças e adolescentes, com narrativas cheias de intrigas, ridicularização dos menores e apelo sexual. O influencer também aparecia nos vídeos, filmando e estimulando as reações das crianças.

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Em uma das histórias, uma menina que aparenta ter menos de 13 anos chama a outra de “piranha” porque ela estaria usando o chinelo do seu namorado e a empurra na piscina. Em outra, um menino é questionado por Taspio do por que suas roupas “parecerem vestidos”. Os vídeos da chamada “tropa do Taspio” eram sonorizados com músicas de conotação sexual.

Com 7 milhões de seguidores, ele afirmou em live nas redes sociais que entrou na Justiça para reverter a remoção e que não faz vídeo com “adultização”. Ele argumenta que usa adolescentes de 17 anos e que eles seriam “uma pessoa velha já”.

“Mas como isso é uma lei que aconteceu no Brasil, se não mudar, a gente vai morar em Portugal e começar do zero”, afirma Taspio. Segundo as regras do YouTube, no entanto, um canal ou influenciador removidos em um país não podem voltar a publicar conteúdos na plataforma em nenhum outro lugar do mundo.

A youtuber Teté Oliveira também teve seu canal, com 1 milhão de seguidores, banido. Ela publicava vídeos com adolescentes dançando músicas com conotação sexual, no que ela chamava também de “tropa da Teté”.

Pesquisa realizada pelo Pew Research Center, organização do terceiro setor americana que estuda mídia e tecnologia, mostra que vídeos com crianças têm três vezes mais visualizações do que outros tipos. Além disso, canais que produzem pelo menos um vídeo com uma criança têm média de 1,8 milhão de inscritos, em comparação com 1,2 milhão naqueles que não produzem.

“Não apague nossa história”, diz youtuber acompanhada desde criança

Os canais Bel para Meninas e Fran, mãe de Bel, foram também apagados da plataforma. A família já havia sido acionada pela Justiça há alguns anos por causa de vídeos como o que a mãe mostrava a filha vomitando depois de ter sido obrigada a comer algo que não gostava.

Bel, hoje com 18 anos, publicou um vídeo com um cartaz em que diz “YouTube não apague a nossa história”. Elas ainda tem milhões de seguidores no Instagram e no TikTok. A jovem conta ter ido até a sede da plataforma e não ter sido recebida. “Dói ver tudo que eu e minha família construímos ao lado do YouTube, com o apoio deles, ser jogado fora de repente.”

Ela também havia criticado o vídeo de Felca, em que foi citada. Bel tratou a polêmica ocorrida no passado como “fake news” e afirmou que seus pais teriam atendido a um antigo desejo seu de ficar famosa.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já garante a preservação da imagem da criança e que ela não seja exposta à situação vexatória ou constrangedora, também proíbe o trabalho de menores, mas não havia lei específica para conteúdos em redes sociais.

Nesta semana, no entanto, o Congresso Nacional aprovou o PL 2628, que deve ser sancionado em breve pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem o objetivo de proteger crianças e adolescentes na esfera digital.

As plataformas serão obrigadas a removar sem ação judicial conteúdos que violem os direitos dos menores, como exploração e abuso sexual, violência, assédio ou “indução, incitação, instigação ou auxílio a práticas ou comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental”.

E ainda não poderão monetizar ou impulsionar conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva.

Segundo dados do YouTube, 8 milhões de vídeos foram removidos entre janeiro e março de 2025 da plataforma no mundo todo; 54% deles violavam políticas de segurança infantil. Também foram banidos 2 milhões de canais. A plataforma afirma que usa moderadores humanos e inteligência artificial para detectar conteúdos impróprios para crianças e adolescentes.

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