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ESCORPIÃO PRAIEIRO?

"Hoje presenciei uma cena inusitada: um escorpião na beira da praia"; é normal encontrar animal no litoral do RS?

Flagrante mostrou animal peçonhento caminhando pela areia, na beira do mar, deixando banhistas curiosos

Publicado em: 22/12/2025 às 15h:05 Última atualização: 22/12/2025 às 15h:05
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“Hoje presenciei uma cena inusitada”, disse um banhista, enquanto filmava um animal que destoava do cenário beira mar do litoral sul do Rio Grande do Sul: “Encontrei um escorpião na beira da praia”. 

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Escorpião foi gravado à beira mar na praia do Cassino, no litoral do RS | abc+



Escorpião foi gravado à beira mar na praia do Cassino, no litoral do RS

Foto: Redes Sociais/Reprodução

O vídeo foi gravado durante o final de semana e mostra um pequeno escorpião caminhando pela beira mar. As imagens são da Praia do Cassino, em Rio Grande. “Mais de 40 anos em Rio Grande e nunca tinha visto isso”, escreveu. Mas afinal, é normal ver animais peçonhentos andando tranquilamente pelas praias do litoral do RS?

“Encontrar um escorpião na faixa de areia junto ao mar não é um comportamento típico desses animais”, responde a bióloga Sarah Peixe à reportagem do ABCmais. Segundo ela, esses animais peçonhentos são principalmente terrestres.

Os escorpiões também preferem ambientes secos até levemente úmidos, já que a base da sua alimentação são outros artrópodes, geralmente baratas.

Por que escorpião estava à beira do mar?

Segundo a bióloga, o escorpião pode ter sido levado para a praia de forma acidental, pelo transporte de matéria orgânica, lixo, caixas, entulhos. Até mesmo em veículos ou em roupas/objetos que chegaram perto do local.

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O animal também pode ter sofrido um deslocamento forçado por conta de chuvas, ventos e até enchentes, que acaba fazendo com que animais terrestres sejam levados para áreas incomuns. “A região tem sofrido com condições climáticas mais extremas como temporais e ciclones”, reitera Sarah Peixe.

Uma outra hipótese, também levantada por ela, é que o habitat seja perto de dunas, vegetação ou até loteamentos urbanos. “Ele estava perdido ali, foi sem querer”, afirma. “O habitat favorável para eles é solo firme com esconderijos”, completa.

No Brasil, e também no RS, a espécie mais perigosa do animal é a o escorpião-amarelo. O veneno dele é capaz de causar envenenamento grave e até levar à morte.

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Quanto ao que aparece no vídeo, embora não seja possível identificar qual a espécie do escorpião, a bióloga reitera que não se trata do amarelo.

Riscos limitados

Os escorpiões são animais terrestres e por isso não desempenham papel relevante no ecossistema marinho. “Ou seja, não afetam diretamente peixes, algas ou outros organismos marinhos, quando encontrados isoladamente”, afirma a bióloga.

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Apesar do medo, eles também não representam um grande risco para os banhistas. Os escorpiões não costumam ser animais agressivos e, geralmente, ferroam quando são tocados acidentalmente ou perturbados.

Como o das imagens parece ser de outra espécie que não o amarelo, a chance de que a ferroada cause uma emergência hospitalar é muito pequena. “É mais fácil a pessoa se ferir com algum resíduo natural da camada de detritos (Drift Line) ou com algum animal morto que pode ter parado ali”, afirma ela.

Essas linhas são compostas por detritos de materiais orgânicos e inorgânicos, que são depositados na areia pela maré alta.

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Cuidados na praia

Ainda assim, existem alguns cuidados que os banhistas e moradores devem tomar quando se trata de encontros com esses animais peçonhentos. A bióloga sugere alguns principais, que devem ser seguidos mesmo em outros casos que não estes incomuns:

Os banhistas devem evitar colocar as mãos ou pés — especialmente sem olhar — em buracos, sob pedras ou caixas deixadas na areia;
Sacudir roupas, sapatos e toalhas antes de usar;
Evitar deixar acumular lixo, entulhos, que atraem insetos (alimentos do escorpião).

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O que fazer em caso de picada de escorpião

– Lavar o local da picada com água e sabão;
– Manter o local da picada voltado para cima;
– Não cortar, furar ou apertar o local da picada;
– Beber bastante água;
– Dirigir-se, imediatamente, ao serviço de saúde mais próximo.

As instruções são da Secretaria de Saúde do governo do RS. O Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT) também pode ser acionado nesses casos, tanto por profissionais de saúde que precisem de orientações, quanto pela população geral que precisa de informações.

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O CIT atende 24 horas pelo telefone 0800 721 3000.

Outro animal deve ser mais temido

Enquanto o escorpião praiano rouba o holofote, Sarah Peixe alerta para um outro animal que pode ser perigoso para a saúde: a Caravela-Portuguesa. Ela é uma colônia de águas vivas que pode encalhar na areia, após ser arrastada por ventos e temporais.

As caravelas possuem tentáculos longos, que continuam sendo perigosos mesmo após a morte do animal, já que as células urticantes continuam ativas. “A dor de contato com um tentáculo de caravela é bem intensa e pode ser gravíssima para crianças, idosos e pessoas alérgicas”, alerta.

No mar, esses animais parecem com uma “sacola plástica transparente” e normalmente ficam flutuando na água. Já na areia, elas ficam camufladas entre os detritos e, mesmo que pareçam longe, podem causar estrago por conta dos tentáculos.

“Esses tentáculos parecem fios ou cordas azuladas/translúcidas”, afirma. “Mesmo que o animal em si apareça longe, os tentáculos são compridos.”

O que fazer em caso de contato com caravela-portuguesa

Segundo Sarah Peixe, os cuidados em caso de contato com os tentáculos deste animal são mais paliativos. São eles:

– Lavar com água do mar
– Remover tentáculos com cuidado (pinça, luva ou objeto rígido)
– Aplicar vinagre (especialmente para caravela-portuguesa, se disponível)

Em casos graves, a pessoa deve buscar atendimento médico o mais rápido possível.

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