Paula Caroline Ferreira Rodrigues, acusada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul de atrair o fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, 22 anos, para a emboscada que resultou em sua morte em 2015 será julgada novamente na próxima terça-feira (3), em Canoas.
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Foto: Reprodução/Facebook
O novo júri, que ocorre após a anulação pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJRS) de julgamento ocorrido em 2023, terá na acusação as promotoras de Justiça Daniela Fistarol e Rafaela Hias Moreira Huergo, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) da instituição.
O julgamento anterior foi anulado — a pedido do Ministério Público — porque a decisão dos jurados foi contrária às provas, justificando o novo júri. Agora, a ré será julgada apenas pelo homicídio qualificado, estando extinta a punibilidade do crime de ocultação de cadáver.
As qualificadoras imputadas incluem motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O outro acusado do crime, Juliano Biron, foi condenado em 2020 pelo Tribunal do Júri a 20 anos e oito meses de prisão por homicídio qualificado, e é apontado como integrante de uma facção criminosa.
As promotoras, em conjunto, destacaram que “o MPRS reafirma sua inabalável convicção quanto à responsabilidade da ré pelos fatos descritos na decisão de pronúncia, na condição de principal articuladora do crime, ao lado de coautor, já definitivamente condenado. Aliás, desde o oferecimento da denúncia, a instituição sustenta a consistência do conjunto probatório e a presença de todas as qualificadoras reconhecidas judicialmente. Essa compreensão permanece íntegra e inalterada. O MPRS também entende que as provas serão valoradas em sua integralidade, e que o novo julgamento restabelecerá a adequada resposta estatal aos fatos apurados”.
O que diz a defesa de Paula
Segundo o advogado Rodrigo Schmitt, que está à frente da defesa de Paula Caroline Ferreira Rodrigues, sua cliente já foi absolvida e será novamente.
“Não deveríamos nem ter julgamento, que ocorre apenas porque houve um erro na redação da ata do último julgamento que não fez constar a tese da clemência, que foi acolhida pelos jurados”, explica.
“Por este erro formal, teremos que refazer o trabalho, apenas para confirmar novamente o que já foi decidido de forma soberana pelo Conselho de Sentença no julgamento anterior.”
Relembre o caso
Conforme a denúncia do Ministério Público, Paula foi responsável por atrair a Gargioni para a morte, em local previamente ajustado na cidade de Canoas.
A mulher, apesar de manter um relacionamento com o Biron, também se relacionava com o fotógrafo, o que levou ao entendimento de que o delito foi motivado por ciúmes.
Os dois — a ré e o coautor — combinaram o assassinato e, durante um encontro marcado pela mulher com a vítima, acabaram executando Gargioni a tiros, em julho de 2015.