O baile funk estava lotado, mas as testemunhas até agora ouvidas pela Polícia Civil dizem não reconhecer o atirador que matou um homem e feriu outro no meio do público na madrugada de domingo (11) no bairro Vila Diehl, em Novo Hamburgo. O assassino teria conseguido ir embora com a arma sem ser importunado. E o local do crime foi “desfeito”, conforme a Polícia, o que impediu a perícia.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DE NOVO HAMBURGO NO WHATSAPP

Foto: Reprodução
“Ele estava de boa dançando com a namorada dele. E o cara foi direto nele pra matar”, relatou à reportagem uma jovem que estava na festa, no clube Amigos do Vale, na Rua João Soares, Loteamento Kephas. Ela se refere a Gabriel da Silva Machado, 30 anos, que morreu a caminho do Hospital Municipal. O outro baleado, de 20 anos, segue internado.
LEIA MAIS: Morte em baile funk: Vídeo mostra correria após assassinato de homem em Novo Hamburgo
O estilo “funk proibidão” ecoava nas caixas de som de automóveis rebaixados estacionados dentro do salão, por volta das 3h30. Garotas se posicionavam em palcos improvisados para a “sequência da botação” – dança definida como “sensual e explícita”. Os tiros pararam a festa.
“Mataram o cara”
Imagens mostram correria e desespero. “Mataram o cara”, repetem frequentadores em retirada. Machado e o outro baleado, caídos no meio da pista, são socorridos por jovens aflitas. Elas estão agachadas, tentando acudir as vítimas.
Uma se esforça para estancar o sangue no lado esquerdo do peito de Machado, quase no ombro. Mas ele não reage. A jovem encosta a cabeça nele, desconsolada. Já o outro baleado, atingido no abdômen, segue de olhos abertos. Os dois são levados ao hospital.
Matador mexeu com a namorada da vítima
Mesmo afirmando que não conhecem o atirador, testemunhas contam à reportagem que ele parecia procurar briga. “Estava muito alterado. Só não sei a droga que usou”, comenta uma jovem. Os relatos são que o matador assediou a namorada de Machado.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
“Passou a mão na moça. Ela continuou dançando e parece que deu uma bundada nele (assassino), não sei se por querer, e daí esse cara deu um cotovelaço nela. O Gabriel foi tirar satisfação, mas sem briga. Só chamou a atenção. Esse cara então chamou o Gabriel e um amigo dele para a rua, mas uma guria disse para não irem. Daí o cara voltou, subiu a camiseta e mostrou uma arma. O Gabriel ergueu as mãos como quem diz ‘deixa assim’. Daí o cara atirou”, detalha uma testemunha. Os tiros atingiram Machado e o amigo. “Esse que matou não é da vila.”
Conforme o delegado de Homicídios de Novo Hamburgo, Anderson Hermel, cinco testemunhas já foram ouvidas, entre elas o dono do clube, que prestou depoimento no domingo e nesta segunda-feira (12).
“Ninguém reconhece o autor dos disparos”, lamenta o delegado, que busca imagens que possam levar ao assassino. A Polícia também apura a responsabilidade pela desfiguração do local do crime, possivelmente para ocultar vestígios.