O assalto a um armazém por pouco não acabou em morte na semana passada. Foi na última quinta-feira (23) que um assaltante armado invadiu um estabelecimento no bairro Fátima. O proprietário reagiu.

Foto: Paulo Pires/GES
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Ele aproveitou uma distração do assaltante e entrou em luta corporal com o homem. O criminoso acabou fugindo sem levar nada, porém o trabalhador de 67 anos ficou ferido devido a socos, chutes e coronhadas na cabeça.
“Sei que eu poderia estar morto, mas é a quinta vez que ele rouba e não consegui mais ficar parado sem fazer nada”, relata o homem, que preferiu não ter o nome e a imagem reveladas.
A vítima integrou um grupo de moradores dos bairros Fátima e Rio Branco que se reuniu para reivindicar segurança, na manhã de segunda-feira (27), em uma praça em frente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
Representante de uma comissão de segurança formada, até agora, por 900 moradores oriundos dos dois bairros, Diedison de Souza explica que os relatos de assaltos, residências invadidas, furtos e roubos de carro somam-se.
“A preocupação é muito grande, porque desde o período em que a água baixou, nunca vivemos tamanha insegurança”, observa. “Então estamos pedindo socorro às autoridades, porque nunca os moradores se sentiram com tanto medo da violência”.
Desespero
A aposentada Camila Garcia, 70 anos, relata que saiu de casa pela manhã e acabou atacada por um homem que puxou suas roupas na tentativa de conseguir algum dinheiro, já que não carregava nenhuma bolsa ou pertence.
“É um absurdo, porque tive minhas roupas arrancadas porque o bandido queria dinheiro, mas eu não carregava nenhum tostão”, lembra. “Ele estava desesperado e pensava que eu tinha escondido, me agarrou e começou a puxar a roupa até rasgar”.
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Medo da violência
Segundo Diedison, são mais de 160 relatos de diferentes vítimas ligadas ao grupo do Rio Branco Fátima desde que as águas baixaram e os bairros voltaram a ser habitados novamente.
“As conversações no grupo que montamos serviram para entendermos a situação de insegurança vivida pelos moradores da área”, explica. “Sabemos que nem todos fizeram o Boletim de Ocorrência. Muitos por medo de sofrerem novamente algum tipo de violência.”
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O que diz a BM
Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves destaca que o número de ocorrências envolvendo roubos nos bairros Rio Branco e Fátima não se destaca diante das estatísticas compiladas pela Brigada Militar em outros bairros de Canoas.
Na avaliação do oficial, é necessário que a população registre o Boletim de Ocorrência e garanta que as polícias tomem conhecimento de cada caso, como forma para agir e prevenir novos crimes. Isso porque o efetivo é distribuído com base na maior incidência de crimes, o que não era observado no Rio Branco e Fátima.
“Notamos ocorrências de casas invadidas, especialmente residências que permanecem fechadas desde as cheias porque as famílias não retornaram”, frisa. “Porém, o número de roubos não se distingue dos que são registrados nos demais bairros de Canoas. Portanto, é preciso que a pessoa registre a ocorrência.
Encontro positivo
No último dia 16, o secretário de Segurança Pública de Canoas, Alberto Rocha, se reuniu com lideranças das comunidades Rio Branco e Fátima para tratar do assunto. Ele apresentou um plano de políticas públicas para melhorar a situação dos moradores.
Rocha destacou patrulhamentos ostensivos da Guarda Municipal, uso da tecnologia por meio de câmeras de monitoramento, assim como as possibilidades de colaboração dos moradores com as corporações de segurança apontando denúncias.
“Considero extremamente oportuno e interessante que a gente comece um trabalho já tendo essa proximidade com as nossas comunidades”, disse. “A gente conseguiu informar não apenas um telefone para contato 24 horas, mas, principalmente, essa questão de boletim de ocorrência. Infelizmente, os delitos não comunicados são cifras ocultas e que não aparecem nos dados estatísticos”, avalia.
Investigações
A Polícia Civil informou ter inquéritos em aberto e trabalha para identificar criminosos que estejam se valendo da ausência de moradores para subtrair casas que permanecem fechadas. Também apura assaltos cometidos a pedestres e estabelecimentos comerciais. O trabalho é desenvolvido pela 4ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas, sob a responsabilidade do delegado Newton Martins Filho.