O julgamento do caso Anna Pilar Cabrera, a criança de 7 anos morta a facadas em Novo Hamburgo, começou na manhã desta terça-feira (16). A ré e mãe da vítima, Kauana Nascimento, chegou sob escolta da Polícia Penal no Fórum da cidade, onde o júri é realizado.
Conforme o juiz Flávio Curvello Martins de Souza, titular da 1ª Vara Criminal, o julgamento deve terminar ainda hoje, no início da noite. Ele explica que o andamento vai depender das pessoas que serão ouvidas.
“[Pretendo conduzir] sempre prezando para que todas as partes tenham oportunidade de se manifestar de forma livre, de forma ampla, tanto o MP, representando a sociedade, quanto a Defensoria Pública, representando a ré”, expõe.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Segundo o juiz, a defesa de Kauana chegou a apresentar pedido para anular o julgamento, mas o que rechaçado.
Pai da criança, o argentino Andrès Cabrera também está presente no julgamento, mas não quis falar com a imprensa.
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O caso
O crime aconteceu no dia 9 de agosto de 2024, em um apartamento do Edifício Galeria Central, no Centro de Novo Hamburgo. A mãe estava no chão ensanguentado e parecia desesperada, conforme os relatos.
A suspeita chegou a dizer aos vizinhos que a menina teria caído das escadas. Porém, os socorristas constataram que a criança tinha perfurações profundas, principalmente no tórax e abdômen. A possível faca do crime foi apreendida sobre a cama do apartamento onde moravam.
Segundo a Polícia Civil, o depoimento de Kauana foi rápido. Ela insultou policiais e ao ser questionada sobre o fato, ficou em silêncio.
A mulher e o pai da criança já estavam separados, mas vizinhos ressaltaram que ele visitava a filha com frequência. Técnico em informática, Cabrera foi avisado sobre o fato e chegou ao local inconsolável. O corpo de Anna foi sepultado no Dia dos Pais.
O Ministério Público ofereceu a denúncia contra Kauana no dia 4 de setembro. No mesmo dia, a Justiça aceitou a denúncia e ela se tornou ré. A denúncia foi aceita pelo juiz Flávio Curvello Martins de Souza, da Vara do Júri da Comarca de Novo Hamburgo.
Presa em flagrante após ter sido encontrada com a menina já sem vida na escadaria do residencial no dia 9 de agosto, a mulher foi levada, sob custódia, ao Hospital Municipal. Ela foi transferida para o Hospital de Charqueadas, na Região Carbonífera, no dia 16 de agosto. A acusada estava sob custódia da Polícia Penal e recebeu alta no dia 1º, quando foi levada para a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba.
Quando encontrada com a filha nos braços, a mulher tinha uma lesão de faca, no meio do peito. A suspeita é que ela tenha se ferido após matar a filha. Apesar do ferimento, seu estado de saúde era estável desde o momento em que foi internada. Conforme a Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), a transferência de hospital ocorreu “por recomendação psiquiátrica”.
A Justiça chegou a suspender o processo contra Kauana, que é ré pelo assassinato da filha. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado (MPRS), a mãe matou a menina a facadas por acreditar que o ex-companheiro estaria em um novo relacionamento amoroso. Assim, se entendeu que o crime foi motivado por ciúmes.