Os pais da menina Izabelly Carvalho Brezzolin, de 11 anos, foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por homicídio culposo nesta quarta-feira (28). A criança faleceu há exatos 20 dias após ser transferida de São Gabriel, onde vivia com a família, à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM).
Além do homicídio culposo, o pai da menina foi denunciado por estupro de vulnerável e por ameaças à mãe de Izabelly no contexto de violência doméstica e familiar.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo o promotor de Justiça Mauricio Arpini Quintana, Elisa Carvalho de Olivera, 36, e José Lindomar Brezzolin, 55, na condição de pais responsáveis pela vítima, “deixaram de adotar as providências necessárias diante do agravamento do quadro de saúde da filha”.
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Demora para levar ao hospital é considerada negligência
Ainda durante a investigação, a mãe relatou em depoimento que Izabelly começou com mal-estar no domingo do dia 4 de maio. Em coletiva de imprensa, a advogada de defesa, Rebeca Canabarro, expôs que Elisa suspeitou de uma otite, por isso procurou uma farmácia e iniciou um tratamento caseiro na filha.
No dia seguinte, a menina seguia com sintomas como dor de garganta, o que fez com que a mãe seguisse com a preparação de chás e sopas. Na terça-feira, dois dias antes do falecimento, a criança apresentou diarreia, momento em que Elisa teria conversado com Brezzolin sobre levar a filha para atendimento médico – o que só aconteceu na quarta, quando Izabelly deu entrada na Irmandade Santa Casa de Caridade de São Gabriel, acompanhada pela mãe.
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Devido ao quadro crítico da criança, que já apresentava dificuldades respiratórias e não respondia mais aos estímulos, foi necessário o encaminhamento à UTI do HUSM, onde a morte de Izabelly foi confirmada na quinta-feira do dia 8 de maio.
Segundo o MP, durante os quatro dias que Izabelly recebeu tratamento caseiro, “permaneceu acamada e sem alimentação adequada, chegando a cair dentro de casa e apresentar hematomas e inchaço no braço”.
Para o promotor do MPRS, os pais “omitiram-se, por negligência, na adoção das medidas necessárias e, assim, mataram Izabelly, pessoa menor de 14 anos, falecida em razão de insuficiência respiratória, sepse e coagulação intravascular disseminada decorrente de pneumonia necrotizante, também da otite e mastoidite, tudo conforme exames e o laudo pericial”.
Denúncia por estupro
De acordo com a investigação, o pai praticou atos libidinosos contra a filha entre março de 2023 e maio de 2025. E, em três ocasiões, ameaçou a companheira.
Em uma das vezes, usou uma faca em direção à Elisa, depois de ser repreendido por seu comportamento abusivo contra Izabelly. Segundo a denúncia, “as ameaças foram praticadas para garantir a impunidade dos estupros”.
Os pais foram presos no dia 7 de maio, quando a menina deu entrada na casa de saúde de São Gabriel. A mãe foi solta em 18 de maio, quando a Polícia Civil indiciou ambos por maus-tratos e estupro de vulnerável.
A reportagem contatou a defensora de Elisa para posicionamento. O espaço segue aberto.
O pai de Izabelly é representado pela Defensoria Pública Estadual, que disse que “irá se manifestar somente nos autos do processo”.