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Operação Acerto de Contas

Contabilista do Vale do Sinos explorava rede milionária de fraudes para empresas e facções

Homem é acusado de usar 175 empresas de fachada para sonegação de impostos e lavagem de dinheiro

Publicado em: 28/01/2026 às 20h:35 Última atualização: 28/01/2026 às 23h:05
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Um técnico em contabilidade de Sapiranga, que tinha escritório também em Estância Velha com cinco sócios, é acusado de explorar um esquema estadual milionário de sonegação fiscal. Orientava empresas de diferentes segmentos a lucrar com fraudes tributárias e também atuava no crime organizado, conforme as investigações, lavando dinheiro do tráfico de drogas no Vale do Sinos.

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Agentes cumpriram 261 mandados de busca ontem | abc+



Agentes cumpriram 261 mandados de busca ontem

Foto: Polícia Civil

Cassado desde junho de 2023 pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Vilaz Augusto Winck, 57 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira, quando Ministério Público, Polícia Civil e Receita Estadual deflagraram a Operação Acerto de Contas. De acordo com a investigação, ele seguia atuando com o registro profissional de colegas. A defesa do contabilista não foi localizada.

R$ 80 milhões

O prejuízo aos cofres públicos com a sonegação é calculado em R$ 80 milhões. Winck é acusado de receber R$ 6 milhões em comissões das empresas beneficiadas. A operação bloqueou contas bancárias e investimentos estimados em R$ 225 milhões.

Foram cumpridos 261 mandados em Sapiranga, Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí e Guaporé. Os agentes também fizeram buscas em Florianópolis. Além da prisão preventiva do contabilista, 11 envolvidos no esquema terão que usar tornozeleira eletrônica, entre eles pelo menos um contador.

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Foram sequestrados 14 imóveis e apreendidos 30 veículos, 70 quilos de prata, uma arma de fogo, computadores, celulares e documentos. O rastreamento dos bens e perícias nos arquivos digitais e físicos permitirão o aprofundamento das investigações.

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“Estrangular a organização”, declara promotor

O promotor de Justiça Diego Rosito de Vilas, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explica que foram identificados dois núcleos no esquema de sonegação. “Um é o operacional, que prestava os serviços de contabilidade, e o outro é composto por empresas que se beneficiavam dessas fraudes e pagavam comissão ao núcleo operacional calculada sobre os valores sonegados de impostos.”

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Ele frisa que o objetivo prioritário da operação é estancar as fraudes e recuperar os valores por meio de bloqueio e apreensão de bens. “Estrangular o aspecto financeiro dessa organização e reverter esses valores ao Estado.” Vilas destaca que as instituições compartilharam provas para atingir o mesmo alvo.

“Eu faço o acerto de todas as contas”

O nome da operação faz referência a uma conversa do contabilista com um empresário beneficiado no esquema. “Pode deixar que eu faço o acerto de todas as contas. Fica tudo certinho”, enviou Winck ao cliente por WhatsApp.

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Conforme o Ministério Público, Winck e familiares mantinham um padrão de vida elevado e ostentavam bens de luxo, como veículos novos das marcas Mustang e BMW, além de imóveis na praia, todos registrados em nome de terceiros. Foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.

Ainda segundo a investigação, o contabilista oferecia os serviços e era procurado por empresários indicados por outros favorecidos. A apuração aponta que ele reduzia ou suprimia ilegalmente o pagamento de impostos, especialmente o ICMS, além de estruturar mecanismos destinados à evasão fiscal e à ocultação de patrimônio.

Foram identificadas 175 empresas de fachada

A operação apurou que as fraudes eram feitas pela emissão de notas fiscais frias de 175 empresas de fachada, que funcionavam por meio de laranjas e holdings – organizações abertas com o propósito principal de deter e gerenciar participação societária para blindagem patrimonial.

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O contabilista definia pessoalmente valores a serem lançados e orientava os clientes sobre ajustes nas declarações. Também transferia empresas endividadas para laranjas de outros municípios, dificultando a responsabilização e mantendo o esquema ativo com novos CNPJs.

O Ministério Público iniciou a investigação em abril de 2024, a partir de relatório técnico enviado pela Receita Estadual, quando requereu quebras de sigilo fiscal, telemático e bancário dos investigados. Em paralelo, a Polícia Civil apurava os mesmo alvos em esquema de lavagem de dinheiro que se utilizava de empresas de fachada para ocultar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

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Serviços eram prestados para chefes do narcotráfico

Segundo a Polícia Civil, o contabilista orientava líderes do narcotráfico sobre como ocultar bens e lavar o dinheiro do crime organizado. “A investigação também revelou indícios concretos de que o investigado atuava como contador e operador financeiro a serviço de mais de uma organização criminosa”, afirma o diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Dercap), delegado Cassiano Cabral.

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O diretor detalha que Winck prestava serviços especializados a facções. “Inclusive por meio da simulação de operações comerciais, da circulação artificial de recursos entre empresas controladas direta ou indiretamente pelo grupo e da posterior reinserção desses valores no sistema financeiro formal”, observa.

Conselho diz que pode tomar novas medidas

O Conselho da categoria se manifestou, por meio de nota, sobre a operação contra o investigado que teve o registro cassado e outros profissionais da área em atividade. Frisa que acompanha os desdobramentos.
“O CRCRS atua de forma permanente na fiscalização do exercício profissional da Contabilidade e avalia a necessidade de adoção de providências administrativas, sempre nos termos da legislação vigente”, diz o comunicado.
E afirma: “Havendo elementos que indiquem possível irregularidade no exercício da profissão por parte de outros envolvidos, o Conselho analisará o caso e adotará as medidas cabíveis, respeitados o devido processo legal e as competências institucionais do CRCRS”.

Como funcionava | abc+



Como funcionava

Foto: SSP

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