O corpo de Oliver Rodgers, o menino de 3 anos espancado até a morte pelo pai, será velado e sepultado em Viamão, na região metropolitana, com o custo coberto pela Prefeitura do município. Na sexta-feira (17), a mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, ganhou autorização da Justiça para reconhecer formalmente o corpo do filho.
Mayanna recebeu da justiça o direito de se deslocar até o Departamento Médico-Legal com o respaldo da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, onde está presa. Porém, segundo informações da defesa da mãe reveladas a reportagem do ABCmais, a própria penitenciária encaminhou oficio esclarecendo que o reconhecimento formal não seria necessário devido ao exame de papiloscopia feito no corpo da vítima.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A pailoscopia é procedimento que reconhece a identidade a partir de papilas dérmicas, encontradas na ponta dos dedos, palmas das mãos e solas dos pés.
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Em manifestação, o Ministério Público informou à Justiça que todas as perícias necessárias já haviam sido concluídas e que não havia impedimento para a liberação do corpo para sepultamento. A defesa foi questionada sobre a participação de Mayanna no velório do filho, mas ainda não revelou informações tanto sobre data da cerimônia quanto sobre a presença da mãe no enterro.
Linha do tempo
Mayanna Angelina Rodgers foi presa preventivamente em 9 de julho, quatro dias após Oliver ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson. A criança faleceu em 8 de julho, no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. A motivação da prisão foi a omissão frente à violência do companheiro.
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A criança teve morte cerebral devido às lesões na cabeça e, segundo o HPS, a família autorizou a doação dos seus órgãos. O pai, que é natural dos Estados Unidos e atuava no Brasil como missionário de uma igreja evangélica, está preso desde o dia do crime. O homem confessou ainda no Hospital de Viamão — onde a vítima foi atendida primeiro — que teria agredido o filho dentro da própria residência.
A Polícia Civil investigava se Mayanna também era vítima de violência doméstica, solicitando uma medida protetiva para a mulher. A família, que possui mais quatro filhos, vive no Brasil há cerca de 10 anos e vivia há seis meses em Águas Claras, na zona rural de Viamão.
Segundo a Justiça, a decisão pela preventiva da mulher ocorreu porque “há indícios suficientes da participação dela nos fatos investigados, e que medidas cautelares alternativas, como restrições ou monitoramento, não seriam suficientes para proteger a investigação e a ordem pública”. Também foi avaliado o risco de fuga, levando em consideração que a investigada é cidadã japonesa e realizou deslocamentos entre diferentes estados nos últimos tempos.
“Não gostou do bom dia”
Na manhã de domingo (5), um homem deu entrada no Hospital de Viamão com seu filho nos braços. O menino apresentava diversas lesões no abdômen, peito e cabeça que indicavam que a criança foi exposta à violência física intensa. Após os médicos realizarem os exames, a Brigada Militar foi acionada, e o pai foi preso por ter deferido os golpes no menino de apenas 3 anos.
A delegada Luana Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pelo caso, ressaltou que o homem teria confessado o crime ainda no hospital. “O pai admitiu à BM que tinha agredido o filho (…) em seu relato, ele descreve que ele teria passado pelo menino, o menino não deu um bom dia que ele tivesse ficado satisfeito, o pai não gostou da forma como o menino falou bom dia.”
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As investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul apontam que o missionário e a mulher agrediam os filhos com a intenção declarada de corrigi-los e discipliná-los.