Um homem de aproximadamente 60 anos, que dissimula o temperamento assassino com uma conduta gentil, é o perfil do criminoso que deixou uma mala com o tronco de uma mulher na Estação Rodoviária de Porto Alegre no mês passado. A imagem do esquartejador foi divulgada nesta quinta-feira (4) pela Polícia Civil, que afirma estar perto de elucidar o caso.
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Foto: Divulgação/Polícia Civil
São fotos extraídas das câmeras de videomonitoramento do setor de guarda-volumes. Com máscara cirúrgica, luvas de lã, boné, óculos de grau e traje esportivo, o assassino deixou a bagagem às 20h12 do último dia 20. Tem pele branca e, aparentemente, cabelos grisalhos.
Aparece apoiado à mesa do atendente, com uma carteira de bolso na mão esquerda. A mala, ao lado, é preta e nova. Está etiquetada e lacrada.
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Delegado revela que há suspeitos
O homem registrou os dados, como nome e CPF, da pessoa que faria a retirada. “Ele estava muito tranquilo”, diz o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mário Souza. Revela que há suspeitos, um deles definido como o “principal”, mas prefere não responder se a mulher esquartejada está identificada. “Sobre a vítima, está em sigilo.”
O principal investigado é justamente o homem da mala, apontado como quem esquartejou a mulher. A divulgação das imagens na rodoviária teria a finalidade de provocar alguma reação nele ou em possíveis comparsas que leve a novas pistas, provas e prisões.
Dados da destinatária também estão sob sigilo
O delegado prefere não falar sobre a pessoa registrada para retirar a mala. Nem se já foi contatada e ouvida. Poderia ter sido escolhida de forma aleatória ou mesmo alguém vinculada à vítima.
O certo é que ninguém apareceu para buscar. No último fim de semana, o mau cheiro começou a incomodar. Funcionários do setor de guarda-volumes pensavam que poderia ser comida estragada.
Na manhã desta segunda-feira (1º), já estava insuportável. Diante das reclamações e da situação de abandono da bagagem, empregados do setor foram abrir. Depararam com uma barriga humana na mala.
A Polícia logo suspeitou que o tronco poderia estar relacionado aos braços e pernas largados dentro de uma sacola na Rua Fagundes Varela, no bairro Santo Antônio, também na capital, no dia 13 de agosto.
A perícia confirmou, nesta quarta, que as partes são da mesma mulher. As mãos, no entanto, estavam com os dedos cortados para dificultar a identificação. A cabeça ainda não foi encontrada.
Os restos mortais apontam para “uma mulher de baixa estatura, com idade em torno de 50 anos e robusta”. Mesma faixa etária do assassino.
“É o caso mais difícil que enfrento”
A brutalidade, associada a uma insanidade macabra, traz elementos diferentes de investigação. “São dois atos de abandono de partes do corpo, por exemplo. Os investigadores jamais viram algo nesse sentido”, comenta o diretor. E salienta: “é o caso mais difícil que enfrento”.
A suspeita é que o assassino pretendia causar notoriedade ao crime. Como a primeira desova, em local ermo, não rendeu a repercussão esperada, ele teria decidido deixar o tronco em local movimentado e de forma ainda mais macabra. Ao mesmo tempo em que se precaveu com máscara, boné e até luvas, se expôs daquela forma em área pública com câmeras.
A principal hipótese é de crime com motivação pessoal ou passional. Não há evidências de execução desencadeada por desavenças do crime organizado. Outra pista é que o corpo foi desmembrado com cortes precisos. Uma máquina moderna de açougue pode ter sido usada.