O homem de 66 anos preso por abandonar parte do corpo da namorada em uma mala na rodoviária de Porto Alegre já tinha histórico de violência. Em 2015, o publicitário Ricardo Jardim matou e concretou o corpo da própria mãe no apartamento onde moravam, no bairro Mont’Serrat, na zona norte da capital.
Em 2018, Jardim foi condenado a 27 anos de prisão em regime fechado pelo crime, mas estava em liberdade. Conforme a Polícia Civil, ele era considerado foragido há um ano.

Foto: Polícia Civil
A motivação para o homem ter assassinado a mãe, atingida com 13 facadas nas costas, foi um seguro de vida em nome do pai, no valor de R$ 400 mil, do qual ele se apossou.
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Detalhes sobre o caso foram divulgados em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (5). A prisão preventiva contra Jardim foi decretada pela Justiça e o mandado foi cumprido na noite desta quinta.
Delegado conta como chegaram ao nome do suspeito de esquartejar corpo em Porto Alegre
A Polícia Civil afirma que o homem foi identificado através da análise de câmeras de monitoramento de estabelecimentos dos arredores da rodoviária. A Polícia conseguiu identificar o trajeto percorrido pelo homem e viu que ele havia entrado em uma pensão.
Ao falar com o responsável pelo residencial, conseguiram o nome do homem. Ele morava há alguns meses no local. A investigação seguiu e foi possível ver que trata-se realmente do homem flagrado nas câmeras.
“O que nos chamou a atenção foi justamente o fato de que esse homem de 66 anos já tinha um histórico criminoso bem grave”, explica o delegado André Luiz Freitas.
“Ele é preso, ele consegue foragir, né, fugir do Estado, e com um ano, um ano e pouco, mais ou menos, estando em liberdade, ele comete um novo crime contra de novo a pessoa do seu relacionamento”, diz o delegado Mario Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa.
A reportagem não localizou a defesa de Ricardo Jardim. O espaço segue aberto para manifestação.

Foto: Bruna Faraco/TJRS
O caso
Foi através das imagens das câmeras de videomonitoramento do setor de guarda-volumes que a Polícia conseguiu identificar o suspeito. Com máscara cirúrgica, luvas de lã, boné, óculos de grau e traje esportivo, o assassino deixou a bagagem às 20h12 do último dia 20.
A Polícia segue investigando qual a relação da destinatária, cadastrada para retirar a mala na rodoviária, com o crime. Ainda não se sabe se trata-se de uma pessoa ligada ao assassinato ou com alguma ligação com a vítima e que, por isso, o suspeito teria enviado a bagagem para ela. Pode também ter sido escolhida de forma aleatória.
Corpo descoberto quase duas semanas depois
No início desta semana, o mau cheiro que vinha do guarda-volumes onde a bagagem foi deixada chamou a atenção. Na manhã de segunda-feira (1º), empregados da rodoviária abriram a bagagem e se depararam com o corpo.
A Polícia iniciou uma investigação e confirmou que o tronco era da mesma vítima que teve os braços e pernas largados dentro de uma sacola na Rua Fagundes Varela, no bairro Santo Antônio, também na capital, no dia 13 de agosto. Uma semana antes da mala ser deixada na rodoviária.
A cabeça ainda não foi encontrada. A Polícia acredita que o homem planejava um terceiro ato, no qual descartaria o crânio em algum outro local público da capital.
Os restos mortais apontam que a vítima era uma mulher de baixa estatura, com idade em torno de 50 anos e robusta.